
Remodelações virtuais: videojogo conquista fãs de arquitetura e design
Muros curvos, escadas improváveis, janelas feitas à medida e uma liberdade criativa rara. Assim é o Paralives, o simulador de vida independente que tem despertado o interesse de milhões de jogadores graças a um modo de construção que parece feito à medida para fãs de arquitetura, obras e design de interiores.
O jogo, que acaba de chegar ao acesso antecipado na Steam, já reúne mais de 1,5 milhões de utilizadores interessados em experimentá-lo.
Desenhar uma casa de raiz costuma exigir tempo, dinheiro e uma boa dose de paciência. Escolher a planta, deitar paredes abaixo, decidir onde abres janelas ou testar diferentes opções de decoração são tarefas que, na vida real, implicam orçamentos, licenças e, muitas vezes, boas dores de cabeça. Mas há uma alternativa bem mais simples: fazer tudo isso em versão virtual.
Embora seja inevitavelmente comparado a ‘The Sims’, o jogo tenta destacar‑se com uma filosofia muito própria, sobretudo em tudo o que diz respeito à construção e personalização de casas.
Paralives
Construção e decoração
Enquanto muitos jogos de simulação tratam as casas como um simples cenário onde tudo acontece, o Paralives transforma o desenho da habitação numa das suas mecânicas principais.
Desde o primeiro minuto, o jogador pode criar uma casa completamente de raiz ou alterar uma já existente, recorrendo a ferramentas extremamente flexíveis.

Paralives
Uma das funcionalidades mais impressionantes é a possibilidade de criar paredes curvas e estruturas com formas pouco convencionais. Em vez de ficares limitado a divisões quadradas ou retangulares, podes brincar com desenhos mais orgânicos e plantas muito mais criativas – algo que, durante anos, foi uma das grandes reivindicações dos fãs de simuladores de vida.
As janelas e as portas também não estão presas a medidas pré‑definidas. Podem ser ampliadas, encolhidas ou ajustadas às necessidades específicas de cada projeto. O resultado é uma sensação de liberdade muito mais próxima de uma ferramenta de desenho do que de um videojogo tradicional.
O jogo está a gerar tanto burburinho na comunidade ‘gamer’ que o YouTube e o TikTok já estão cheios de vídeos de reações e experiências de jogadores a testar o Paralives.

Paralives
As escadas são outro dos elementos mais apreciados do sistema de construção. Retas, curvas, em L ou totalmente personalizadas, permitem criar espaços muito mais dinâmicos do que o habitual neste tipo de jogos. Também é possível alterar a altura dos pisos, brincar com desníveis e adaptar a topografia do terreno para construir casas integradas na paisagem.
A personalização continua no interior. Praticamente qualquer móvel pode ser ajustado em tamanho, cor, textura ou proporções. Um sofá pode ficar mais largo, uma mesa mais comprida ou uma estante mais alta, sem precisares de andar à procura de uma versão específica no catálogo. Esta flexibilidade elimina uma das principais limitações com que se deparam, normalmente, os fãs de decoração virtual.

Paralives
O sistema de cores e materiais também permite experimentar com uma enorme variedade de acabamentos. Dos estilos minimalistas inspirados na arquitetura escandinava a casas rústicas, industriais ou ultra‑contemporâneas, as possibilidades parecem praticamente infinitas.

Paralives
Para muitos jogadores, a experiência acaba por se transformar numa espécie de laboratório criativo, onde se testam ideias de decoração, distribuições quase impossíveis ou conceitos arquitetónicos que dificilmente sairiam do papel na vida real. Não é por acaso que grande parte da comunidade partilha nas redes sociais moradias de luxo, apartamentos urbanos, casas flutuantes ou mansões futuristas criadas dentro do jogo.
O jogo está a gerar tanto burburinho na comunidade ‘gamer’ que o YouTube e o TikTok já estão cheios de vídeos de reações e experiências de jogadores a testar o Paralives.

Paralives
Paralives não se limita à construção de casas
Como qualquer simulador de vida, também te deixa criar personagens, gerir relações pessoais, desenvolver carreiras profissionais e acompanhar o dia a dia dos habitantes. Os criadores batizaram estas personagens como “Parafolks” e o objetivo é oferecer uma experiência em que a casa e quem lá vive vão evoluindo em conjunto.

Paralives
Apesar disso, mesmo nesta fase inicial de acesso antecipado, a construção continua a ser o aspeto mais diferenciador do projeto.
Por detrás do jogo está a Paralives Studio, uma empresa independente fundada em 2019 por Alex Massé. Ao contrário das grandes produtoras apoiadas por gigantes da indústria, este projeto cresceu graças ao apoio direto da comunidade. Mais de 2.000 mecenas financiaram o desenvolvimento através do Patreon, contribuindo com cerca de três milhões de dólares ao longo dos últimos anos.
Atualmente, o estúdio conta com uma equipa de cerca de quinze pessoas espalhadas por vários países e mantém uma filosofia pouco comum no setor. Entre os seus compromissos, destaca‑se a promessa de que todos os conteúdos adicionais (DLC) serão gratuitos e de que nunca cobrará comissões aos criadores de mods e de conteúdo personalizado.

Paralives
Feito por e para a comunidade
Precisamente, os mods são outro dos pilares da estratégia do Paralives. O estúdio quer incentivar uma comunidade capaz de expandir continuamente o jogo, acrescentando novos móveis, objetos decorativos, materiais e funcionalidades criadas pelos próprios jogadores.

Paralives
A fórmula parece ter despertado uma enorme expectativa. Depois de anos de desenvolvimento e de uma comunicação constante com a comunidade, o Paralives tornou‑se num dos lançamentos independentes mais vigiados dentro do género de simulação de vida.
Resta saber como vai evoluir nos próximos meses e que novas funcionalidades serão acrescentadas até chegar à versão final. Mas há algo que já hoje parece evidente: para quem gosta de imaginar casas, reformar espaços ou decorar interiores, há poucas propostas no mercado que ofereçam tanta liberdade criativa como este simulador.