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10 Ago

Do dia para a noite: como reagem os animais durante um eclipse?

No dia 12 de agosto de 2026, a luz vai diminuir rapidamente em grande parte de Portugal Continental e, numa pequena zona do nordeste transmontano, o eclipse solar será total. Para os humanos é um fenómeno raro, mas para muitos animais pode parecer simplesmente que o dia terminou antes do tempo.

É esta mudança súbita que os investigadores portugueses da Universidade Politécnica de Bragança querem estudar através dos sons da natureza, registando a atividade da fauna antes, durante e depois do eclipse.

O que acontece aos animais durante um eclipse solar?

raposa

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A luz ajuda os animais a regular o ritmo circadiano, o “relógio interno” associado ao sono, à alimentação, à atividade e às vocalizações. 

Quando a luminosidade cai num curto espaço de tempo, algumas espécies podem interpretar a alteração como a chegada do anoitecer. Isto não significa que todos reajam da mesma forma, pois as reações variam de acordo com:

  • Espécie;
  • Habitat;
  • Hora;
  • Presença humana.

No eclipse de 12 de agosto, esta distinção será importante, porque o fenómeno acontece ao final do dia, quando muitas espécies já começam naturalmente a mudar de rotina.

Efeitos do eclipse nos animais selvagens

Um dos trabalhos mais relevantes foi realizado no Riverbanks Zoo, na Carolina do Sul, durante o eclipse solar total de 21 de agosto de 2017. Os investigadores observaram 17 espécies de mamíferos, aves e répteis, comparando o comportamento durante o eclipse com os padrões registados nos dias anteriores. 

Treze das 17 espécies, cerca de 76%, apresentaram alguma alteração comportamental. Oito adotaram comportamentos associados ao período noturno, enquanto outras demonstraram sinais classificados como aparente ansiedade: 

  • Rotinas de fim do dia: os gorilas e os elefantes aproximaram-se das zonas interiores onde costumavam recolher-se, como se a noite tivesse chegado mais cedo; 
  • Maior inquietação: os babuínos, as girafas e os flamingos agruparam-se, interromperam atividades habituais ou demonstraram maior vigilância e agitação; 
  • Atividade noturna antecipada: os podargos-cinzentos e outras espécies de hábitos noturnos tornaram-se mais ativos durante a redução da luz; 
  • Poucas ou nenhumas alterações: os ursos-pardos, focas, leões-marinhos e kookaburras não apresentaram mudanças claramente percetíveis.

O que dizem os estudos mais antigos?

As observações sistemáticas remontam, pelo menos, ao eclipse de 1932, quando o entomologista William M. Wheeler e a sua equipa reuniram quase 500 relatos do público. Entre os comportamentos descritos estavam grilos a cantar, corujas a vocalizar e abelhas a regressar às colmeias.

Apesar do interesse destes dados, os próprios relatos eram por vezes contraditórios. A mesma espécie podia reagir de forma diferente em locais distintos, o que mostra a importância de controlar fatores como a temperatura, o ruído, a presença humana, a estação do ano e o tipo de habitat.

Cientistas portugueses vão monitorizar aves, morcegos e outros animais

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É precisamente para compreender estas mudanças de comportamento que os investigadores portugueses vão estudar os efeitos do eclipse através dos sons da natureza. A análise será feita com gravações recolhidas antes, durante e após o momento de maior ocultação do Sol, para perceber de que forma a paisagem sonora se altera com a diminuição repentina da luz.

Os cientistas vão procurar identificar variações nas vocalizações, períodos de silêncio e possíveis mudanças na atividade das espécies noturnas e diurnas. Durante o eclipse, é possível que aves de hábitos noturnos comecem a fazer-se ouvir mais cedo, enquanto alguns animais diurnos reduzam a atividade ou procurem abrigo. A investigação estará sobretudo focada nas aves e nos morcegos.

Os dados recolhidos em Portugal deverão depois ser comparados com os registos feitos em Espanha e reunidos numa base de dados conjunta. Assim, será possível identificar padrões e perceber até que ponto a reação dos animais durante o eclipse varia.

Não te esqueças, no entanto, que só uma pequena área do Parque Natural de Montesinho ficará na faixa de totalidade do eclipse, enquanto no restante território o fenómeno será parcial. Em Espanha, é muito mais abrangente. Caso queiras, poderás descobrir os melhores lugares para ver o eclipse solar na Península Ibérica.

E os cães e gatos, também sentem o eclipse?

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Se tens animais de estimação, é possível que não notes qualquer diferença. 

Ainda existem poucos estudos científicos sobre os efeitos dos eclipses em cães e gatos, e os especialistas em medicina veterinária indicam que muitos animais domésticos podem permanecer praticamente indiferentes.

Mantém, por isso, a rotina habitual e evita levar o teu animal para locais muito movimentados só para assistir ao eclipse. Se procurar esconder-se, não o forces a sair, provavelmente estará mais assustado pela quantidade de pessoas, do que pelo eclipse em si. 

Cães e gatos também não costumam fixar voluntariamente o Sol por curiosidade como os humanos, mas convém não incentivar qualquer situação que os leve a olhar diretamente para a luz solar.

O eclipse causa stress nos animais?

Uma mudança de comportamento não significa necessariamente sofrimento. Recolher-se, ficar em silêncio ou iniciar uma rotina noturna pode ser apenas uma resposta normal à redução da luminosidade. Portanto, não te preocupes porque os animais não vão ficar loucos durante um eclipse, como alguns estudos mencionam.

Como os efeitos podem variar muito de um local para outro, o mais provável é que ocorra uma reorganização temporária da atividade animal, provocada sobretudo pela mudança súbita da luminosidade. No dia 12 de agosto, alguns ambientes poderão tornar-se mais silenciosos, enquanto outros ganharão novos sons.

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