Banca alivia seguros no crédito da casa para encaixar taxa de esforço
Alguns bancos estão a reduzir as coberturas dos seguros associados ao crédito habitação para aliviar os encargos dos clientes e permitir que mais famílias cumpram o limite de 45% da nova taxa de esforço. A estratégia estará a ser usada para facilitar o acesso à compra de casa perante as novas regras macroprudenciais, segundo declarações do presidente da Associação Nacional dos Intermediários de Crédito Autorizados (ANICA), Tiago Vilaça.
“Vejo, nos dias de hoje, os bancos a abdicarem de coberturas nos seguros. Tradicionalmente, a banca exige sempre, no mínimo, três coberturas: morte, invalidez absoluta e definitiva (IAD) e invalidez total e permanente (também designada IDPAC)”, começa por explicar o responsável em entrevista ao Jornal PT50.
Tiago Vilaça refere que em termos de grau de invalidez, há seguradoras que pagam o prémio a partir de 60% e outras que pagam a partir de 65% e que, portanto, “faz muita diferença a percentagem do grau de invalidez necessária para acionar a apólice”.
O presidente da ANICA frisa que os bancos estão a cumprir a lei, mas que estão a baixar os encargos das famílias para conseguirem enquadrá-las. “Isto tem que ver com as novas regras macroprudenciais“, diz.
“Se eu conseguir baixar os custos, consigo enquadrar a taxa de esforço nos 45%”, refere, lembrando, contudo, que as famílias estão em esforço porque as casas estão a custar mais dinheiro, as Euribor sobem e não se controlam. “E agora, se eu tiver um problema de saúde grave no meu agregado familiar, não vou ter as coberturas adequadas”, avisa.
Recorde-se que, em Portugal, a contratação de um crédito habitação está habitualmente associada a dois seguros: o multirriscos, obrigatório para proteger o imóvel que serve de garantia ao empréstimo, e o seguro de vida, que cobre os riscos associados ao titular do crédito.