
Revolução na construção francesa: 12 casas em 34 dias com impressão 3D
O projeto ViliaSprint2, promovido pela Plurial Novilia na localidade francesa de Bezannes, junta num só empreendimento aquilo que a construção convencional ainda não consegue: erguer um prédio de apartamentos em cerca de um mês, uma resposta mais rápida à procura atual, um problema que Portugal partilha, com a habitação a escassear e os preços a subir.
Um dos aspetos mais notáveis é a fachada arredondada e as varandas em madeira, que costumam complicar a construção 3D, já que cada curva multiplica as horas de trabalho e a mão de obra especializada. Aqui, a complexidade não acrescentou custo ao processo.
O edifício assenta sobre uma fina camada de betão executada diretamente pela máquina, sem intervenção humana. Esse betão incorpora uma tecnologia reforçada com fibras sintéticas que reduz os resíduos de obra de 10% para 5% e poupa mais 10% de material graças à geometria otimizada.
Plurial Novilia
Outro dado que impressiona: para levantar as 12 unidades em cerca de um mês foram necessários apenas três trabalhadores, que geriam as operações através de computadores. Para pôr os números em perspetiva, a promotora construiu em paralelo um edifício quase idêntico com métodos tradicionais. A comparação é direta: a versão impressa exigiu metade dos operários e ficou pronta três meses antes.
No conjunto, o edifício soma 800 m² de área habitável e integra 500 m² de painéis fotovoltaicos na cobertura, combinados com um sistema híbrido de gás e bomba de calor que reduz a dependência da rede e atinge uma autossuficiência energética próxima dos 60%.
O passo seguinte já está em marcha: a Plurial Novilia planeia erguer um conjunto de 40 apartamentos com duas impressoras a operar em paralelo, para encurtar ainda mais os prazos.
Em países como França, Espanha e também Portugal, onde a crise da habitação se agravou nos últimos anos, industrializar a construção torna-se uma ferramenta estratégica. Quando a procura supera a oferta de forma estrutural, acelerar prazos sem disparar custos deixa de ser opção para passar a urgência política.
O que se passa em Portugal?
Esta tecnologia não é estranha ao mercado nacional. A primeira casa portuguesa impressa em 3D chegou pela mão da Havelar, empresa de Vila do Conde que trabalha com a mesma fabricante dinamarquesa de impressoras (a COBOD) e que aponta preços a partir dos 150 mil euros, com uma construção 70% mais rápida e menos 60% de mão de obra face ao método tradicional.