Notícias

14 Jun

Esta padaria feita de barro, trigo e madeira é uma experiência sensorial

A sociedade está cada vez mais consciente do impacto ambiental, e a arquitetura sustentável tem vindo a ganhar protagonismo nos espaços mais quotidianos da nossa vida: cafés, lojas ou padarias há muito começaram a incorporar materiais ecológicos num design que convida a um reencontro com a natureza.

Um dos exemplos mais marcantes desta tendência encontra-se no Panamá, onde o estúdio Mallol Arquitectos concebeu, para a marca Krume Bäcker, uma padaria que não cheira apenas a pão acabado de cozer, mas também a terra, madeira e respeito pelo ambiente.

Este espaço, com 193 metros quadrados (m2), redefine o conceito de padaria urbana, transformando-se numa experiência sensorial imersiva e numa declaração de princípios sobre o uso responsável dos recursos. Na verdade, desde os materiais até ao mobilário, tudo foi cuidadosamente selecionado para evocar calor, autenticidade e sustentabilidade.

O estúdio **Mallol Arquitectos** cKrume Bäcker, uma padaria no Panamá que cheira a pão acabado de cozer, terra, madeira e respeito.

Krume Bäcker

Mauricio Carvajal

Um design inspirado na origem

A padaria organiza-se em torno do elemento central: um balcão em forma de U, construído com terra compactada, uma técnica ancestral que neste projeto foi reinterpretada com elegância contemporânea.

Nesta grande ilha encontram-se as máquinas de café, os expositores de pastelaria e as bancadas onde os clientes podem sentar-se, envolvidos pelo aroma e pela textura dos materiais naturais.

O pão ocupa um lugar central no espaço, e a iluminação foi pensada intencionalmente para destacar a sua importância.

Pão, o protagonista

Mauricio Carvajal

Tal como explica o estúdio, “o pão ocupa um lugar central no espaço, e a iluminação foi pensada intencionalmente para destacar a sua importância”.

As paredes estão revestidas com reboco de argila local, criando uma superfície texturizada em tons quentes que envolve quem entra no espaço. Os cantos arredondados suavizam o ambiente, e os pequenos nichos incorporados na parede permitem sentar-se a sós ou a dois.

Do lado oposto, uma grande mesa comum incentiva o convívio entre desconhecidos, enquanto as mesas individuais se distribuem com uma harmonia discreta.

Paredes de argila local.

Paredes de argila local.

Mauricio Carvajal

Um dos detalhes mais originais está no uso de trigo seco, disposto em caixas de madeira ao longo da montra e atrás de um banco central. O design remete, de forma evidente, para o ingrediente principal do pão, reforçando assim a identidade visual da marca.

O pavimento é em tijoleira vermelha colocada em espinha, o que confere textura e uma continuidade visual com a paleta de tons “terra”. No teto, uma grelha de painéis verticais de madeira permite integrar a iluminação de forma discreta e rítmica. “A paleta de cores e materiais foi cuidadosamente selecionada para refletir a essência e as origens da marca, evocando a suavidade, o calor e a espontaneidade da natureza”, explicam no estúdio.

O mobilário, feito por medida, foi fabricado com madeira autóctone submersa.

Madeira submersa

Mauricio Carvajal

Madeira submersa e técnicas locais

O projeto adota uma abordagem integral de sustentabilidade. Um dos exemplos mais marcantes é o mobilário feito por medida, fabricado com madeira autóctone submersa, resgatada da albufeira de Bayano. Esta madeira, conservada durante décadas debaixo de água (a albufeira foi construída em 1976), apresenta uma resistência excecional e um ciclo de vida muito mais sustentável do que a madeira proveniente de abate convencional.

A extração foi realizada em colaboração com a comunidade indígena Guna Madugandí, utilizando serras hidráulicas com óleos biodegradáveis. Depois, a madeira foi seca em forno durante mais de dois meses e meio, num processo que, segundo o estúdio, “maximiza o aproveitamento do material, reduz os desperdícios e produz peças de mobiliário com uma durabilidade superior em comparação com alternativas mais porosas”.

Pavimento em espiga

Pavimento em espiga

Mauricio Carvajal

Para além do impacto ambiental reduzido, esta escolha promove a economia circular e o trabalho conjunto com comunidades locais, acrescentando um valor cultural significativo ao projeto. Por isso, cada mesa, banco ou estante é também uma história de recuperação, de memória e de saber fazer artesanal.

Publicações Relacionadas