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15 Jun

Escritórios: mercado europeu antecipa diminuição da oferta até 2027

O mercado de escritórios na Europa enfrenta um momento onde os custos de construção estão em alta, o ‘pipeline’ de desenvolvido está em queda e a oferta nova é limitada, com a maior parte disponível em edifícios antigos e zonas secundárias, ao mesmo tempo que o espaço prime em zonas centrais é escasso e as rendas continuam a aumentar. É neste contexto que se prevê uma quebra da oferta até, pelo menos, ao próximo ano.

De acordo com o estudo European Office Development – Q1 2026 da Savills, a área ocupada no primeiro trimestre de 2026 rondou os 1,8 milhões de metros quadrados (m2), ou seja, cerca de 3% abaixo da média dos últimos anos. Até final deste ano, o volume de novos edifícios de escritórios concluídos no continente europeu deverá chegar aos 3,5 milhões de m2, representando estabilidade face ao ano anterior, embora 28% abaixo do pico de 2022. 

Refletindo a menor atividade de promoção de novos projetos lançados desde 2023, o volume de novas conclusões em 2027 deverá descer para 2,7 milhões de m2 (redução de 23% face a 2026). Também na nova construção sem pré‑arrendamento não se prevê um rápido aumento da oferta.

Segundo a Savills, apenas 1,5% do espaço de escritórios em ‘pipeline’ na Europa é especulativo para os próximos dois anos, metade do nível de há quatro anos atrás. Bucareste, London City e West End estão entre as cidades com maior volume de espaço especulativo, em percentagem do stock total previsto até final do próximo ano.

Mudar de instalações? Empresas preferem renovar contratos

Escritórios

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Com a subida das taxas de juro, a inflação que ronda os 3% na zona euro e a incerteza geopolítica, as empresas estão a optar por renovar contratos e, assim, poupar investimento adicional exigido na mudança de instalações.

No entanto, verificam-se diferenças nos vários mercados europeus, com Dublin, Budapeste e Amesterdão a registarem mais ocupação e negócios de maior dimensão, ficando acima das suas médias dos últimos cinco anos, enquanto o arrendamento de escritórios na Alemanha e em França tem estado mais contido, embora a consultora antecipe um crescimento de cerca de 3% na ocupação em 2026.

De acordo com Mike Barnes, Director, European Office Research da Savills, apesar do contexto económico pouco favorável, a procura por escritórios de qualidade em localizações centrais mantém-se sólida, uma vez que a escassez de oferta nova, os elevados custos de construção e os critérios de sustentabilidade mais apertados fazem com que os investidores procurem edifícios prime e em projetos de reabilitação: “Quem oferece espaço eficiente, bem localizado e com boa performance energética está em vantagem”.

Lisboa lidera procura, mas outras cidades ganham relevo

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Estas tendências nos mercados europeus verificam-se igualmente em Portugal. Para Frederico Leitão de Sousa, Head of Offices da Savills Portugal, esses resultados são explicados pela “forte dinâmica que o mercado de escritórios em Lisboa tem registado nos últimos anos, com um contributo significativo de novas empresas para o ‘take-up’”, e destaca quatro motivos essenciais: “acesso a talento qualificado, competitividade de custos, qualidade de vida e um ambiente de negócios cada vez mais atrativo para o investimento internacional”.

Mas o responsável revela ainda que, “ao mesmo tempo, assistimos a uma evolução das estratégias de localização dos ocupantes, que começam também a considerar outras cidades portuguesas com estes atributos”. Apesar de Lisboa continuar a liderar este movimento, “o interesse por mercados alternativos confirma a relevância crescente de Portugal nas decisões de expansão e instalação de operações internacionais”.

Para a Savills, as organizações que conseguirem transformar ativos existentes em edifícios modernos e eficientes estarão em vantagem num atual contexto de rendas elevadas, pressionadas pela estável procura por produto de qualidade, pelo limitado ‘pipeline’ limitado e pelo baixo nível de desenvolvimento especulativo.

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