
Eclipse solar 2026: como observar o céu de 12 de agosto em segurança
Olhar diretamente para o Sol durante um eclipse, mesmo por poucos segundos, pode provocar retinopatia solar, uma lesão da retina que nem sempre causa dor imediata.
Os sintomas como visão desfocada, manchas escuras, imagens distorcidas ou sensibilidade à luz, podem surgir horas mais tarde e, em alguns casos, deixar sequelas. Vamos perceber como observar o eclipse de forma segura, para que a tua experiência a 12 de agosto decorra sem problemas.
Eclipse 12 de agosto: o que vai acontecer no céu?
Magnific
No dia 12 de agosto de 2026, o céu vai preparar um espetáculo raro: daqueles que fazem o mundo parar por alguns minutos e olhar para cima.
Nesse dia, a Lua vai alinhar-se de forma perfeita entre a Terra e o Sol. Aos poucos, como se alguém estivesse a diminuir a intensidade das luzes, a sombra da Lua começará a cobrir o disco solar. E, em algumas zonas muito específicas do planeta, acontecerá algo verdadeiramente extraordinário: o Sol desaparecerá por completo.
Durante esses breves minutos, chamados de totalidade, o dia transforma-se quase em crepúsculo. O céu escurece, a temperatura pode baixar ligeiramente e o ambiente ganha uma sensação inesperada de silêncio.
É então que surge uma imagem que normalmente permanece escondida aos nossos olhos: a coroa solar, a atmosfera exterior do Sol, visível como um halo luminoso em redor da Lua.
Mas nem todos verão este momento da mesma forma. Apenas quem estiver na chamada faixa de totalidade poderá assistir ao eclipse total — considerado o maior eclipse total do Sol dos últimos 114 anos. Nas restantes regiões, a Lua cobrirá apenas uma parte do Sol, proporcionando um eclipse parcial.
Será um daqueles momentos em que a ciência parece magia: a Lua, o Sol e a Terra alinhados no lugar certo, à hora certa, para nos recordar a dimensão e a beleza do universo.
Como ver um eclipse solar em segurança?

Unsplash
Durante todas as fases parciais de um eclipse, só deves olhar diretamente para o Sol através de óculos para o eclipse ou de um visor solar de mão.
Estes filtros devem cumprir a norma internacional ISO 12312-2 para observação solar direta e ter origem num fabricante ou revendedor reconhecido. Estes são os passos a seguir para ver o eclipse corretamente:
- Confirma a origem dos óculos: compra-os a um fornecedor fiável e verifica se estão identificados para observação direta do Sol.
- Inspeciona os filtros: não uses óculos com riscos, furos, rasgões, vincos, zonas descoladas ou armações danificadas.
- Coloca-os antes de olhar para cima: cobre os olhos enquanto ainda estás virado para outro lado e só depois olha para o Sol;
- Retira-os pela ordem correta: quando terminares, desvia primeiro o rosto do Sol e só depois removes a proteção;
- Mantém os teus óculos graduados: caso utilizes óculos, coloca os óculos de eclipse por cima ou segura um visor solar à frente das lentes;
- Protege-te em todas as fases parciais: só podes retirar o filtro durante a totalidade, quando o disco solar estiver completamente coberto, e apenas se estiveres efetivamente na faixa onde o eclipse é total. Assim que reaparecer a primeira luz solar, volta a colocá-lo.
Podes limpar os óculos do eclipse com um pano macio, seco e não abrasivo, sobretudo quando os óculos têm armação de cartão.
Evita água, detergentes, solventes e toalhitas húmidas, que podem deformar a estrutura ou soltar as lentes.
Os óculos de sol servem? Os erros que nunca deves cometer

Magnific
Não. Independentemente de serem escuros e polarizados ou ofereçam proteção ultravioleta, os óculos de sol deixam passar muita radiação em comparação com um filtro específico preparado para ver um eclipse.
Os óculos para eclipses são centenas de vezes mais escuros e foram fabricados para reduzir a radiação a níveis absolutamente seguros.
O mesmo alerta serve para as soluções improvisadas. Embora diminuam o brilho visível e criem uma falsa sensação de proteção, não bloqueiam a radiação perigosa de forma adequada. Por isso, nunca utilizes:
- Vários pares de óculos de sol sobrepostos (não substituem, de todo, a proteção de um filtro certificado);
- Materiais médicos ou fotográficos (como radiografias, películas ou negativos);
- Objetos domésticos escurecidos ou espelhados (CDs, DVDs, papel de alumínio, embalagens metalizadas ou vidro fumado e pintado);
- Equipamento inadequado ou de origem duvidosa (máscaras de soldadura sem a proteção específica para o efeito ou filtros sem certificação e em mau estado).
Nunca testes os teus óculos olhando diretamente para o Sol, nem mesmo por breves segundos. Verifica primeiro a proveniência e analisa cuidadosamente o estado do filtro.
Se tiveres qualquer dúvida quanto à tua segurança, opta por métodos de observação indireta ou acompanha o fenómeno através de uma transmissão científica.
Queres fotografar o eclipse? Atenção ao telemóvel e à câmara

Magnific
Achavas que só os teus olhos precisam de proteção durante um eclipse? O telemóvel também não é fã de levar com o Sol. A luz solar pode danificar os sensores de telemóveis e câmaras, sobretudo em exposições prolongadas.
O risco é ainda maior em telescópios e binóculos, porque as lentes concentram a luz. Por isso, deves usar um filtro solar colocado à frente da objetiva e bem fixo antes de apontares o equipamento ao Sol.
Os óculos de eclipse não substituem esse filtro, pois foram concebidos apenas para observação direta a olho nu. Nunca olhes para o Sol através de uma câmara, telescópio ou binóculos sem proteção frontal, mesmo que estejas a usar óculos de eclipse: a luz concentrada pode danificar o filtro e provocar lesões sérias.
Fotografar o eclipse solar com qualidade e segurança
É recomendável a colocação de um filtro sobre a objetiva durante as fases parciais do eclipse e sugere a utilização de tripé para estabilizar a fotografia. Para captares a imagem com maior segurança e nitidez:
- Faz capturas rápidas em vez de deixares a câmara apontada ao Sol durante vários minutos;
- Evita o zoom digital máximo, porque reduz a qualidade da imagem sem criar uma aproximação real;
- Desativa o flash, já que não terá qualquer utilidade neste tipo de fotografia;
- Não confies em aplicações que prometem proteger o sensor, porque nenhum software substitui um filtro físico;
- Só deves utilizar lentes telefoto externas com proteção própria, instaladas corretamente à frente da lente.
As marcas de smartphones não dispõem de filtros solares próprios para o eclipse, portanto a aquisição tem de ser feita em lojas externas.
O que fazer se olhaste para o sol sem proteção?

Unsplash
O sol não avisa quando exageraste e os teus olhos também podem demorar a dar sinal.
- Se notares visão desfocada, manchas, linhas distorcidas, alterações nas cores ou sensibilidade à luz, procura rapidamente um oftalmologista;
- Não esfregues os olhos nem esperes que passe sozinho: a ausência de dor não significa que a retina esteja bem.
Caso estejas acompanhado por crianças explica-lhes o risco de olhar para o Sol durante o eclipse com antecedência, confirma que os óculos se ajustam ao rosto, coloca e retira a proteção por elas, nunca deixes uma criança observar o eclipse sem um adulto por perto.