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31 Jul

Crédito habitação trava com juros a subir – irá piorar com novo esforço

Pedir crédito habitação está mais dificil perante os altos juros e maior restrição dos critérios de concessão por parte da banca. Em junho, os juros médios nos novos empréstimos habitação voltaram a subir para 2,93%, o que terá ajudado a reduzir o montante concedido para 2.715 milhões de euros, segundo os dados do Banco de Portugal (BdP). A partir de agosto, o cenário vai piorar. Isto porque as famílias terão de lidar com juros mais altos e ainda com a nova taxa de esforço máxima de 45%. Os bancos já estão a estimar reduções na concessão de crédito habitação entre 5% e 10%.

“A taxa de juro média das novas operações de crédito habitação aumentou 0,04 p.p. [pontos percentuais] em junho, para 2,93%. Esta subida resultou dos novos contratos e dos contratos renegociados, cujas taxas de juro médias aumentaram 0,03 p.p. e 0,05 p.p. em junho, fixando-se em 2,93% e 2,91%, respetivamente”, explica o BdP em comunicado.

Com esta nova subida dos juros na habitação no nosso país provocada pela incerteza nos mercados financeiros gerada pela guerra no Médio Oriente, “Portugal subiu uma posição entre os países da área do euro, passando a apresentar a quinta taxa média baixa”, informa ainda o supervisor bancário liderado por Álvaro Santos Pereira. Ainda assim, continua bem mais baixa da taxa de juro média na zona euro, a qual se fixou em 3,48% em junho, depois de subir 0,03 p.p. 

Neste contexto, a taxa mista nos novos empréstimos para compra de habitação própria e permanente aumentou 0,03 p.p. para 2,80% em junho. E a taxa variável cresceu ainda mais (+0,07 p.p.) para uma média de 3,14%, refletindo diretamente o aumento da Euribor. Já a taxa fixa desceu no último mês para 3,73% (-0,03 p.p.).

Apesar dos aumentos recentes, a taxa mista continua a ser a mais acessíveis entre os três tipos. E, por isso, voltou também a ser a mais contratada. “Em junho, 85% dos novos empréstimos habitação foram contratados a taxa mista, isto é, com uma taxa de juro fixa num período inicial, seguida de taxa variável”, assinala o BdP na nota divulgada esta sexta-feira, dia 31 de julho. Já os empréstimos a taxa variável pesaram 13% no total e a taxa fixa apenas 2%.

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Novos créditos habitação a descer em junho – e vai agravar

O cenário atual está mais desafiante para comprar casa com recurso a financiamento bancário. Afinal, hoje as famílias deparam-se com altos preços das casas, juros a crescer e perda de poder de compra devido a uma inflação mais elevada. Além disso, os bancos também têm apertado os critérios de concessão de crédito, ainda que ligeiramente. Todo este contexto ajuda a explicar a queda do montante de novos créditos habitação registado em junho.

As novas operações de empréstimos para habitação – que incluem novos contratos e renegociações – registaram uma diminuição de 177 milhões de euros, para 2.715 milhões de euros em junho. “Os novos contratos de empréstimos para habitação diminuíram 26 milhões de euros, para 2.166 milhões de euros”, lê-se no documento. E as renegociações de empréstimos para habitação também caíram para 550 milhões de euros, menos 151 milhões de euros face a maio.

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O BdP já havia assinalado que que houve uma “ligeira redução” na procura por crédito habitação durante o segundo trimestre de 2026, uma tendência que se deverá manter, pelo menos, até ao final do verão. Afinal, os critérios de concessão de crédito habitação vão continuar a ficar mais restritivos, porque a partir de agosto entra em vigor a nova recomendação macroprudencial que vem diminuir o limite máximo da taxa de esforço de 50% para 45%.

Os responsáveis pelos bancos já começaram a fazer estimativas sobre o impacto da redução da taxa de esforço nos negócios hipotecários. O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, diz que pode “ter algum impacto à volta de 10%” na concessão de crédito. “No total do que fazemos de crédito habitação terá sempre um impacto, mas não é isso que põe em causa os nossos objetivos de crescimento do crédito”, perspetivou. 

Também o presidente executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, prevê que as novas diretrizes do BdP para a concessão de empréstimos levem a uma queda de 10% na produção de crédito do banco.

Já o presidente executivo do BCP, Miguel Maya, admitiu que estas novas regras da taxa de esforço deverão ter apenas um impacto limitado na concessão de crédito habitação no banco, estimando uma redução da procura na ordem dos 5%, lê-se no Jornal Económico.

* Com Lusa

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