
Como esconder as máquinas de lavar e organizar melhor a casa
Há um objeto que estraga qualquer cozinha ou casa de banho cuidada: a máquina de lavar à vista, com a mangueira torta e o tambor a abanar. Podemos escondê-la na marquise ou fingir que faz parte da decoração, mas, se vais fazer obras, tens finalmente a oportunidade de resolver o problema.
Durante a remodelação, decides onde ficam a máquina de lavar roupa, a de secar e, se houver espaço, a de lavar loiça. Essa escolha muda a circulação, a organização e até o valor do imóvel quando o quiseres vender ou arrendar, sobretudo nos apartamentos mais pequenos.
As grandes estratégias para o (novo) problema
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A casa portuguesa mudou nas últimas décadas: as cozinhas abriram-se para a sala, as áreas de serviço encolheram e muitos apartamentos novos já nem têm marquise. Ao mesmo tempo, também mudou a forma como olhamos para a casa, porque queremos ambientes mais organizados e passamos cada vez mais tempo dentro dela.
A boa notícia é que, com obra pelo meio, quase tudo se resolve, e o que resulta na maioria dos casos é uma combinação destas três ideias.
Criar uma lavandaria dedicada
É a solução de sonho, mas exige espaço e coragem para mexer na planta. Pode nascer de um arrumo subaproveitado, de uma despensa funda, de um corredor demasiado largo ou da própria marquise fechada.
Ao concentrares ali as máquinas, o tanque, a tábua de engomar e a arrumação dos produtos, bastará fechar a porta para libertar a casa do ruído e da humidade e ganhar uma divisão que valoriza o imóvel no anúncio.
Integrar as máquinas no mobiliário existente
Quando não há área suficiente para criar uma nova divisão, a resposta passa pela carpintaria. As máquinas ficam embutidas em armários feitos por medida, na cozinha, na casa de banho ou até num hall.
Escondidas atrás de portas alinhadas com o restante mobiliário, passam despercebidas e, visto de fora, ninguém percebe que ali está uma máquina de secar.
Empilhar e ganhar altura
Em casas apertadas, a torre é a tua melhor amiga. Ao colocar a máquina de secar por cima da de lavar, com um kit de união entre ambas, ocupas apenas um espaço no chão em vez de dois, libertando a área lateral para prateleiras, um cesto alto ou uma bancada de apoio.
Onde colocar as máquinas, divisão a divisão

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Na cozinha, atrás de portas integradas
É o sítio mais comum, porque já tem ponto de água e esgoto. O segredo está em encomendar uma frente de armário igual à dos restantes módulos, com a mesma pega ou sem pega nenhuma, para que a máquina desapareça na linha da cozinha. Reserva um módulo inteiro, do chão à bancada, e ganhas por cima uma superfície de apoio que vale ouro.
Na casa de banho, dentro de um móvel alto
Funciona muito bem quando a casa de banho é generosa. A máquina entra numa coluna fechada, ao lado do móvel do lavatório, e a humidade já ali existente deixa de ser um inimigo. Atenção apenas à ventilação, que pode ser insuficiente numa casa de banho pequena.
Na marquise, mas organizada a sério
A velha marquise continua a ser o lugar natural da lavandaria portuguesa. A diferença está em fechá-la com vidro, isolar bem do frio e desenhar ali um conjunto coerente: máquinas em baixo, armários fechados em cima, uma bancada para tratar da roupa. Deixa de ser o sítio onde se acumula tralha e passa a ser uma divisão útil.
Num corredor ou hall subaproveitado
Muitos corredores têm largura a mais e uma parede vazia que não serve para nada. Um armário embutido, do chão ao teto, com portas de correr lisas, esconde a torre de máquinas e ainda deixa espaço para arrumar o aspirador e os produtos de limpeza. De porta fechada, é apenas mais uma parede.
Sob a bancada de um quarto de hóspedes ou escritório
Solução menos óbvia e reservada a quem tem essa metragem, mas eficaz. Exige levar canalização até lá, o que só compensa em obra de fundo.
O pormenor que decide tudo: a canalização

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Antes de te apaixonares por uma planta nova, lembra-te de uma regra de ouro: afastar a máquina dos pontos de água e esgoto encarece a obra. Mais tubagem, inclinações difíceis e paredes abertas para passar canos significam mais euros e mais dias de trabalho.
Ao decidir onde esconder as máquinas, começa pelo que já existe. Se a coluna de esgoto está num canto da cozinha, é a partir daí que deve nascer o armário ou a lavandaria, porque contrariar a canalização é o erro mais caro numa remodelação e falar com o canalizador antes do carpinteiro evita surpresas.
Há ainda três pontos técnicos que tens mesmo de tratar enquanto as paredes estão abertas:
- Tomadas dedicadas: cada máquina precisa da sua própria tomada, com ligação à terra e protegida por um disjuntor no quadro. Nunca ligadas a extensões escondidas atrás do móvel, que são receita para curto-circuito.
- Saída de água e esgoto bem dimensionados: a torneira de entrada e o ralo de saída devem ficar acessíveis, ainda que disfarçados, para o caso de fuga. Prevê uma válvula de corte fácil de alcançar.
- Ventilação: as máquinas, sobretudo a de secar, libertam calor e humidade, e fechá-las num armário totalmente estanque é pedir bolor e cheiro a fechado. Deixa folga atrás dos equipamentos e instala uma grelha de ventilação na porta ou no rodapé do móvel.
A questão do ruído
Esconder a máquina atrás de uma porta bonita não a torna silenciosa. Se a torre de lavagem ficar encostada à parede de um quarto ou da sala, vais ouvir o tambor na centrifugação. Vale a pena aproveitar a obra para resolver o problema de uma vez.
Para reduzir o ruído, há três frentes de atuação:
- Localização: sempre que possível, encosta as máquinas a paredes de divisões de serviço e não a paredes de descanso.
- Isolamento: uma camada de material absorvente no interior do armário e pés antivibração por baixo das máquinas reduzem bastante o problema.
- Nivelamento: uma máquina mal assente vibra e arrasta-se, e esse detalhe pode ser a diferença entre uma casa calma e uma casa que treme à hora do programa rápido.
Materiais e acabamentos que envelhecem bem

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A zona das máquinas é húmida por natureza, por isso o material do móvel conta muito. Evita aglomerados sem proteção, que incham ao primeiro salpico, e prefere painéis hidrófugos, laminados resistentes ou, se o orçamento permitir, frentes lacadas com tratamento para zonas húmidas.
No chão, à volta das máquinas, vale a pena apostar numa superfície impermeável e fácil de limpar, porque um derrame de detergente ou uma fuga discreta fazem menos estragos sobre material preparado para a água. Nas bancadas de apoio, escolher um acabamento resistente ao calor permite pousar a roupa acabada de secar sem cuidados especiais.
Quanto ao estilo, a regra é a continuidade. Se a máquina vai ficar na cozinha, a frente do armário deve falar a mesma língua dos restantes módulos. Se for para um hall, portas lisas e sem puxadores à vista ajudam a que tudo se confunda com a parede. O objetivo é que o olhar passe sem reparar em nada.
Organizar para lá da máquina

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Esconder o equipamento é meio caminho. O outro meio passa por arrumar tudo o que gira à volta da lavagem, que é onde a desordem costuma nascer.
Quando este conjunto é pensado de origem, a lavandaria deixa de transbordar para o resto da casa. É isso, no fundo, que dá a sensação de uma casa organizada: cada coisa com um lugar definido.
Pensa neste conjunto enquanto desenhas o móvel:
- Detergentes e produtos: uma prateleira fechada à altura certa evita os frascos espalhados pela bancada. Se tiveres crianças em casa, fecha-a com um sistema de segurança.
- Cestos de roupa suja: prevê o lugar deles dentro do armário, idealmente separados por cores, para que a roupa nunca ande pelo chão.
- Roupa lavada por tratar: uma bancada ou um varão escondido para pendurar o que não vai à máquina de secar resolve o eterno problema das peças penduradas nas cadeiras da cozinha.
- Tábua e ferro de engomar: uma ranhura vertical ao lado das máquinas permite arrumar a tábua sem ocupar espaço de circulação.