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04 Jun

Atelier português de arquitetura aposta em IA no pipeline de produção

O atelier português de arquitetura PMA | Paulo Merlini Architects está a reforçar a integração de Inteligência Artificial (IA) no pipeline de produção, mais especificamente em áreas ligadas à computação, scripting, workflows BIM e apoio à conceptualização arquitetónica.

Nos últimos dois anos, no âmbito da PMA Lab, estrutura criativa e experimental dedicada à investigação e desenvolvimento de novas metodologias de trabalho, a PMA tem já vindo a integrar progressivamente ferramentas de IA nos seus processos internos, inicialmente na visualização arquitetónica.

Francisco Melo, Artista 3D, responsável pela implementação de IA aplicada à visualização arquitetónica na PMA, refere, em comunicado, que “a Inteligência Artificial não substitui o pensamento arquitetónico, a capacidade crítica ou a sensibilidade humana”, mas permite “libertar tempo e recursos para aquilo que verdadeiramente acrescenta valor ao projeto: a estratégia, a análise, a criatividade e a tomada de decisão”.

PMA | Paulo Merlini Architects

PMA | Paulo Merlini Architects

Para o responsável, além de acelerar a pós-produção, a IA está também a “transformar a própria estrutura do nosso pipeline, atuando de forma analítica logo numa fase conceptual”. Francisco Melo afirma ainda que o posicionamento do atelier “não é ver a IA como uma solução mágica, mas sim como uma ferramenta de validação estratégica”.

Com a integração destas ferramentas, a PMA passou a mapear rotinas repetitivas e ‘clusters’ funcionais do seu pipeline de produção, criando um conjunto de master prompts, scripts e protocolos internos destinados a garantir uniformidade visual e precisão técnica.

O responsável pela implementação de IA aplicada à visualização arquitetónica no atelier explica que havia trabalhos que poderiam levar duas semanas a serem feitos, mas que hoje em dia esse tempo já é reduzido, embora isso seja possível “porque existe muito trabalho invisível de investigação, desenvolvimento e curadoria técnica por trás”.

Atualmente, a IA é utilizada sobretudo na geração e pós-produção de imagens, na realização de estudos volumétricos preliminares, na otimização de workflows internos, no desenvolvimento de scripts computacionais, na parametrização e na aceleração de processos criativos e técnicos que, até há pouco tempo, exigiam extensas horas de trabalho manual.

Esta abordagem foi aplicada recentemente na produção de imagens para um projeto urbano de grande dimensão, onde era necessário integrar o modelo 3D numa fotografia aérea real do terreno e, em paralelo, avaliar diferentes cenários de iluminação e materialidade da fachada, fornecendo à equipa de arquitetura informação visual que apoiasse o processo de tomada de decisão.

PMA | Paulo Merlini Architects

PMA | Paulo Merlini Architects

“Utilizámos master prompts desenvolvidos internamente, acelerando o que antes exigiria vários dias de modelação, renderização e pós-produção manual. Assim, a equipa conseguiu perceber rapidamente qual a solução que melhor comunicava a intenção do projeto, permitindo-nos entregar uma proposta visualmente forte e tecnicamente validada”, avança Francisco Melo.

O atelier português encontra-se ainda a explorar aplicações de Inteligência Artificial ligadas ao desenvolvimento arquitetónico e workflows BIM, testando integrações de IA diretamente sobre modelos BIM através de sistemas MCP aplicados ao Autodesk Revit e ferramentas de apoio à programação computacional, scripting, parametrização e automação técnica.

Segundo Usman Haider, Architect, Computational Designer e BIM Specialist, a PMA está “a utilizar IA diretamente sobre modelos BIM e não apenas sobre dados derivados”, algo que está “a mudar radicalmente a forma como interagimos com o software”. O responsável revela que a utilização destas ferramentas tem acelerado workflows Dynamo e libertado mais tempo para a componente criativa e estratégica do projeto.

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