Mota-Engil critica ideia de falta de mão de obra na construção
O presidente executivo da Mota-Engil Engenharia, Horácio Sá, lamentou esta segunda-feira (dia 1 de junho) que exista uma ideia “pública e publicada” de que o setor da construção não tem capacidade de resposta, assinalando que ninguém questionou a empresa.
“Existe a ideia de que não há capacidade do mercado e esta é uma opinião que é pública e publicada e que é a tecla onde se costuma bater”, afirmou Horácio Sá, na apresentação da Fundação da Construção, em Lisboa. O administrador referiu que o setor da construção está quase ao nível do futebol, uma vez que “quase toda a gente tem opinião” sobre o novo aeroporto, sobre a sua localização ou sobre uma nova travessia no Tejo.
“Temos especialistas para todas as cores e feitios e isto é ingrato e injusto. A construção emprega quase 7% da população ativa”, assinalou.
O gestor da empresa do grupo Mota-Engil disse ainda que é muito fácil falar com o setor da construção, uma vez que existem poucos interlocutores, insistindo não haver dificuldade em questionar se existe falta de mão de obra. Contudo, vincou que à construtora ninguém fez esta questão.
Por outro lado, indicou que a Mota-Engil Engenharia tem contratos, assinados com clientes públicos nacionais, no valor de “algumas centenas de milhões de euros”, que não avançam por falta de financiamento.
A isto soma-se, conforme apontou, a atração por tudo o que é estrangeiro.“Quando um espanhol está de férias e vê outro, diz: até que enfim que encontrei um tío [pessoa] do meu nível. Quando um português está de férias e vê outro, diz: isto está cheio de portugueses”, rematou.
Segundo dados avançados pela Fundação da Construção, o setor gera cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega cerca de 460.000 pessoas.