Construção e imobiliário com endividamento em máximos de 2013
Hoje, o setor imobiliário está mais dinâmico, acabando por pedir mais dinheiro à banca para financiar novos empreendimentos e a compra de terrenos. Os dados mais recentes do Banco de Portugal (BdP) revelam isso mesmo: o endividamento das empresas de construção e imobiliário subiu em março para mais de 58 mil milhões de euros, o valor mais elevado desde 2013, altura em que troika estava no país. Mas tudo indica que o setor apresenta baixo risco.
Em março de 2026, as empresas do setor da construção e imobiliário registaram um endividamento de 58.257 milhões de euros, mais 6,41% face ao mesmo período do ano anterior, indicam os dados do BdP. Trata-se do valor mais alto desde novembro de 2013 e da taxa de crescimento anual mais elevada entre as empresas privadas não financeiras, lê-se no ECO.
A subida do endividamento na construção e imobiliário reflete o maior dinamismo do setor, na tentativa de aumentar a oferta de casas para responder ao aumento da procura por habitação. “As empresas do setor têm recorrido mais ao crédito para financiar promoção imobiliária, aquisição de terrenos e novos projetos de construção”, explica ao meio Paulo Monteiro Rosa, economista do Banco Carregosa.
Os especialistas ouvidos pela publicação descartam riscos de sobreendividamento nas empresas de construção e imobiliário, e sublinham que o atual contexto é muito diferente de 2013, quando o país estava em plena crise da dívida soberana. “Regista-se uma melhoria dos indicadores financeiros do setor e um aumento da procura de habitação, que consolidam o baixo risco do setor”, detalha Teresa Gil Pinheiro, analista financeira do BPI.
Ainda assim, alertam que o crescimento do endividamento do setor merece ser monitorizado, perante os altos juros e dependência de financiamento bancário. “Uma desaceleração económica mais forte ou correções no mercado imobiliário poderiam aumentar pressão financeira nas empresas mais alavancadas”, avisa Paulo Monteiro Rosa, citado pelo meio.