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13 Mai

Hotelaria lidera investimento no imobiliário comercial no 1º trimestre

O primeiro trimestre de 2026 fechou com 911 milhões de euros de investimento em imobiliário comercial, onde o ‘hospitality’ e o retalho foram os segmentos em destaque, concentrando, em conjunto, mais de 70% do investimento. Com um salto de 130% em termos homólogos, a hotelaria liderou com 39% do volume, enquanto o retalho assegurou 37% da atividade.

De acordo com o relatório da Savills, no que respeita ao investimento em retalho, 53% do volume total investido correspondeu à venda de participações relacionadas com o Gaia Shopping e o Arrábida Shopping, adquiridas através de uma parceria entre a Sonae Sierra e o Crédito Agrícola.

Já o segmento de escritórios apenas representou 5% do investimento, o que representa uma quebra de 53% face ao período homólogo, que se explica por um desfasamento de expectativas de preço entre compradores e vendedores, que continua a adiar a concretização de transações, enquanto a concorrência de outros mercados europeus continua a afetar Portugal, uma vez que oferecem ‘yields’ competitivas.

Data centres avançam com dinamismo

Embora continue a ser uma das classes de ativos mais procuradas nos mercados da Europa, os volumes transacionais em logística no país permanecem limitados pela oferta reduzida de ativos prime a entrar no mercado. Enquanto isso, os data centers surgem, pela primeira vez, com uma quota de 5% do investimento, marcando a sua entrada na estratégia dos investidores em Portugal.

“(…) Portugal destaca-se pela estabilidade, pela qualidade do produto e pela capacidade de oferecer oportunidades com um perfil risco/retorno muito competitivo. Olhamos para os próximos trimestres com otimismo, assente no apetite do capital, na dinâmica transacional em curso e na atratividade estrutural do país”
Pedro Figueiras, Director, Head of Lisbon da Savills Portugal

“O arranque de 2026 confirma a robustez do mercado de investimento imobiliário comercial em Portugal: estamos a assistir ao fecho de operações e a um apetite continuado por parte de investidores nacionais e internacionais, sobretudo nos segmentos com fundamentais mais sólidos. Num contexto em que o sul da Europa continua a captar atenção pela combinação entre crescimento, procura turística e reconfiguração de cadeias logísticas, Portugal destaca-se pela estabilidade, pela qualidade do produto e pela capacidade de oferecer oportunidades com um perfil risco/retorno muito competitivo. Olhamos para os próximos trimestres com otimismo, assente no apetite do capital, na dinâmica transacional em curso e na atratividade estrutural do país”, afirma, em comunicado, Pedro Figueiras, Director, Head of Lisbon da Savills Portugal.

Investidores institucionais e de fundos de ‘private equity’ em destaque

O arranque deste ano no imobiliário comercial foi marcado, do lado do capital, pelo peso de investidores institucionais (34% do investimento) e de fundos de ‘private equity’ (30%) que, em conjunto, concentraram 64% do montante aplicado. Os investidores portugueses representaram uma quota de 47%, enquanto EUA, Espanha e França asseguraram 37% da atividade ‘cross‑border’.

O aumento do ‘ticket’ médio das operações, para 32,5 milhões de euros (+2%), suportou também o valor transacionado durante o primeiro trimestre.

Portugal é um dos mercados mais resilientes do sul europeu

A consistente procura por parte dos investidores posiciona Portugal como um dos mercados imobiliários mais resilientes do sul da Europa, pese a incerteza global. 

O spread entre os retornos imobiliários e as OTs a 10 anos volta a alargar, com a taxa diretora do BCE a situar-se nos 2,15% e as ‘prime yields’ a variar entre 5,00% e 7,00% para o conjunto de segmentos imobiliários analisados. Esta dinâmica antecede, historicamente, a recuperação dos volumes transacionais e uma maior atividade por parte dos investidores.

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