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13 Mai

Cantanhede inaugura laboratório de inovação em habitação e saúde

A Casa VIVA+ Engenheiro António Oliveira será inaugurada esta quinta-feira (14 de maio), pelas 14 horas, no Hospital Rovisco Pais, na Tocha, concelho de Cantanhede. Trata-se de um projeto concebido como um laboratório vivo de inovação em habitação e saúde, com o objetivo de responder aos desafios do envelhecimento da população.

Posicionando Portugal na linha da frente da inovação em saúde no habitat, este projeto representa um investimento superior a 16 milhões de euros e vai funcionar como um espaço de desenvolvimento, teste e validação de tecnologias e soluções orientadas para a promoção da autonomia, prevenção, monitorização e segurança no domicílio, permitindo que mais pessoas possam viver durante mais tempo e com qualidade de vida nas suas habitações. Com este modelo, pretende-se reduzir riscos, evitar institucionalizações precoces e promover formas mais sustentáveis de prestação de cuidados, indica, em comunicado, a Casa VIVA+.

Parceria estratégica para a saúde no habitat

A OLI, a Universidade de Aveiro, a Unidade de Saúde Local de Coimbra, o Departamento de Reabilitação do Hospital Rovisco Pais e a InovaDomus – Associação para o Desenvolvimento da Casa do Futuro juntaram-se para criar este projeto inovador.

Enquanto líder da Casa VIVA+, a OLI está a desenvolver uma solução inovadora para a monitorização regular de dados relacionados com a saúde e o bem-estar, uma tecnologia que transforma um tampo de sanita numa plataforma biométrica inteligente orientada para uma monitorização preventiva, passiva e personalizada da saúde diária. Esta solução recolhe, de forma automática, indicadores cardiovasculares e respiratórios como a frequência cardíaca, a variabilidade cardíaca, a frequência respiratória e níveis de oxigenação sanguínea. Tudo isto através da integração de sensores avançados e tecnologias de análise biométrica.

A coordenação científica e tecnológica do projeto e o desenvolvimento de provas de conceito e de novas soluções inovadoras estão sob a responsabilidade da Universidade de Aveiro, enquanto o Departamento de Reabilitação do Hospital Rovisco Pais contribui com o seu conhecimento clínico e experiência nas áreas da reabilitação e da promoção da saúde em contexto habitacional.

Já a InovaDomus, através das suas empresas associadas do meta-setor do habitat (Efapel, Extrusal, RedeRia, Revigrés e Teka) e de parceiros tecnológicos (como a Bosch), contribui com produtos, tecnologia e conhecimento técnico nas respetivas áreas de especialização.

Alguns dos novos produtos e soluções de Investigação, Desenvolvimento e Inovação, são apoiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

“A Casa VIVA+ Engenheiro António Oliveira representa um investimento em conhecimento, tecnologia e inovação orientado para o futuro da habitação, da saúde e da qualidade de vida das pessoas. Na OLI, acreditamos há décadas que a inovação só faz sentido quando responde a necessidades reais da sociedade. Foi essa visão que marcou o percurso do Engenheiro António Oliveira e é esse legado que continuamos a honrar: desenvolver soluções capazes de melhorar a vida das pessoas e antecipar os desafios do futuro”, refere António Ricardo Oliveira, Administrador da OLI, citado na nota.

O responsável sublinha o “envelhecimento da população e o aumento das doenças crónicas” como motivo pelo qual o projeto surgiu, destacando o WC como um dos espaços “mais críticos em termos de segurança, conforto e autonomia, sobretudo para uma população mais envelhecida”, uma vez que “grande parte dos acidentes domésticos acontece precisamente neste espaço, devido a limitações de mobilidade ou perda de equilíbrio”. E é nesse sentido que, segundo António Ricardo Oliveira, “o desafio do futuro passa por transformar o WC num espaço inteligente, adaptado e preventivo, capaz de apoiar o utilizador sem ser intrusivo”, nascendo, assim, a tecnologia OLI Health. “Transformámos um elemento central do WC numa plataforma biométrica inteligente, capaz de acompanhar indicadores de saúde de forma automática, discreta e não intrusiva, integrando a monitorização no quotidiano das pessoas sem alterar rotinas nem comprometer a dignidade individual”, conclui.

Por sua vez, Paulo Jorge Ferreira, Reitor da Universidade de Aveiro, refere-se à Casa VIVA+ Engenheiro António Oliveira como “a concretização de uma visão verdadeiramente pioneira sobre o futuro da habitação e da saúde”. O reitor destaca a proposta do projeto de uma “abordagem disruptiva, centrada na promoção da autonomia, da dignidade e do bem-estar no espaço onde a vida acontece: a casa”. 

“Mais do que um projeto, a Casa VIVA+ afirma-se como um modelo inspirador e replicável, com potencial para influenciar políticas públicas e contribuir para a construção de respostas mais sustentáveis, inclusivas e centradas nas pessoas. A Universidade de Aveiro orgulha-se de contribuir para este projeto, cuja ambição e impacto refletem, de forma exemplar, o espírito inovador e a visão de futuro que o inspiraram”, frisa Paulo Jorge Ferreira.

Jorge Laíns, Diretor de Departamento de Reabilitação do Hospital Rovisco Pais, ULS Coimbra, afirma que “a participação da ULS Coimbra no projeto Casa VIVA+ Eng. António Oliveira representa um passo estratégico na evolução dos cuidados diferenciados de Medicina de Reabilitação e na prestação de cuidados de saúde de proximidade”.

O responsável relembra que, “para muitos, a casa é o centro quase exclusivo da sua atividade diária”, uma vez que “os idosos e reformados passam em média 20 a 22 horas por dia em casa” e “as pessoas portadoras de incapacidade passam entre 21 a 23 horas”, sendo que em ambas situações “verifica-se uma exposição quase contínua ao ambiente edificado, o que reforça a importância de ambientes saudáveis e adaptáveis como os propostos pelo projeto Casa VIVA+ Eng. António Oliveira”.

Jorge Laíns revela ainda que para a ULS Coimbra este protocolo é a oportunidade de transferir o conhecimento clínico para o ambiente doméstico. “Ao colaborarmos neste laboratório vivo, estamos a ajudar a desenhar casas que não são apenas resilientes e adaptáveis, mas que funcionam como extensões do sistema de saúde. Através da monitorização e de soluções construtivas criativas, podemos responder melhor aos desafios do envelhecimento e das limitações na funcionalidade, garantindo que o domicílio seja um espaço seguro de reabilitação e conforto. Esta sinergia entre a academia, a indústria e a saúde é fundamental para transformar Portugal num pioneiro da construção saudável, focando-nos no que é importante: a qualidade de vida dos cidadãos”, conclui o Diretor de Departamento de Reabilitação do Hospital Rovisco Pais.

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