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12 Mai

Minimalismo infantil: faz mesmo sentido ter menos brinquedos?

Faz sentido aplicar minimalismo às crianças, num mundo em que tudo, desde a publicidade dos canais de YouTube infantis até aos catálogos de Natal, parece empurrar-nos na direção contrária? A resposta curta é: sim. Mas importa não confundir minimalismo infantil com a estética minimalista de Instagram, quartos brancos, brinquedos de madeira impecáveis, prateleiras simétricas. Esta é uma escolha consciente: menos quantidade, mais qualidade, mais tempo, mais experiências e menos ruído. 

Ter menos brinquedos faz bem, está provado, mas é importante perceber como esta filosofia se aplica no dia a dia de uma família portuguesa real. Neste artigo vamos perceber o que é o minimalismo infantil, quais os benefícios reais de viver com menos brinquedos mais brincadeira.

minimalismo com crianças

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O que é, afinal, o minimalismo infantil

O minimalismo infantil é uma extensão do minimalismo na parentalidade. Em vez de partir do princípio de que “quanto mais brinquedos, melhor”, parte da pergunta inversa: quanto é que esta criança precisa, realmente, para crescer feliz, criativa e ligada às pessoas que a rodeiam? A resposta costuma ser muito menos do que aquilo que temos em casa.

Quantos brinquedos uma criança deve ter? Não há um número mágico. Algumas famílias adotam o princípio de manter entre 20 a 30 brinquedos por criança; outras preferem pensar em territórios – construção, faz-de-conta, arte, livros, exterior, e garantir que cada um está representado por dois ou três objetos de qualidade. O importante é o critério, não a contagem.

Há também uma dimensão de consumo no minimalismo em família que ultrapassa os brinquedos. Roupa em quantidades razoáveis, decoração simples no quarto, menos atividades extracurriculares e mais tempo livre, menos ecrãs e mais conversa: tudo isto faz parte do mesmo movimento.

Por que motivo está a ganhar adesão entre os pais portugueses

Várias razões explicam a adesão crescente ao minimalismo com crianças. Primeiro, a saturação. Famílias com dois ou três filhos vivem hoje em casas com centenas, por vezes milhares, de objetos a circular. Arrumar deixou de ser uma tarefa pontual para se tornar um trabalho diário. Segundo, a influência das correntes Montessori, Waldorf e da parentalidade consciente, que defendem ambientes simples e materiais cuidadosamente escolhidos.

Terceiro, a pressão económica. O custo de vida em Portugal, sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, levou muitas famílias a viver em casas mais pequenas, onde simplesmente não há espaço físico para o excesso. E quarto, uma reflexão sobre o tempo: quanto mais coisas há em casa, mais tempo se gasta a arrumar, organizar, gerir, comprar. Tempo que poderia ser passado em família.

menos brinquedos mais brincadeira

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Benefícios reais: por que ter menos brinquedos faz bem

Vários estudos internacionais sugerem que crianças com menos brinquedos à disposição brincam durante mais tempo, exploram mais profundamente cada objeto e desenvolvem maior criatividade. É a melhor tradução do princípio “menos brinquedos, mais brincadeira”. Quando há demasiada escolha, a atenção dispersa-se.

Os benefícios não param na concentração:

  1. Maior criatividade, menos brinquedos eletrónicos e mais materiais abertos (madeira, tecidos, blocos) estimulam o faz-de-conta.
  2. Mais autonomia, uma criança consegue arrumar sozinha um quarto com vinte objetos, não consegue com duzentos.
  3. Menos sobre-estimulação, quartos cheios geram ansiedade, dificuldade de adormecer e dispersão.
  4. Mais respeito pelos objetos, quem tem poucos brinquedos cuida melhor de cada um.
  5. Menos conflitos, menos coisas para discutir, mais brincadeira partilhada.
  6. Mais tempo de qualidade com os pais, sem o ruído de fundo de brinquedos eletrónicos a competir pela atenção.

O que perdem (ou parecem perder) as crianças

Mas já se sabe que a honestidade também vale a pena. Há receios legítimos. Os mais comuns são: privar a criança de experiências, fazê-la sentir-se diferente das amigas, criar frustração ou ressentimento. Estes receios são compreensíveis, mas, na prática, raramente se concretizam.

Crianças expostas ao minimalismo infantil desde cedo tendem a desenvolver uma relação saudável com o consumo: pedem menos, valorizam mais. Não se sentem privadas porque o critério em casa não é a quantidade. E aprendem desde pequenas que valor não é a mesma coisa que preço.

Os casos mais difíceis surgem quando o minimalismo é introduzido subitamente em famílias onde havia muito acumulado. Aqui, é fundamental fazer a transição com cuidado, conversando com a criança, envolvendo-a nas escolhas e nunca eliminando brinquedos sem o seu conhecimento. Doar é também uma excelente oportunidade pedagógica.

ter menos brinquedos faz bem

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Como reduzir brinquedos das crianças: 5 passos práticos

Começar não tem de ser radical. Estes cinco passos ajudam a perceber, na prática, como reduzir brinquedos das crianças sem traumas:

  1. Observa antes de agir: durante uma semana, repara em que brinquedos os teus filhos usam, quais ignoram, quais geram conflitos.
  2. Faz uma triagem inicial sem as crianças, separa o que está partido, incompleto ou sem uso há mais de seis meses.
  3. Apresenta uma seleção reduzida, começa por deixar 20 a 30 brinquedos à vista e guarda o resto numa caixa fechada.
  4. Avalia ao fim de duas semanas. Se as crianças nem se lembraram do que foi guardado, é um forte indício de que pode ser doado.
  5. Envolve a criança no passo seguinte, escolhe com ela o que doar, explica para quem vai, agradece o trabalho.

 

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