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15 Abr

Dívida de meio milhão no imobiliário causa rutura na direção do Benfica

Um empréstimo de meio milhão de euros ligado a um projeto imobiliário em Carnaxide está no centro de um conflito entre Rui Costa e Luís Mendes que transbordou dos negócios para a direção do Benfica. O ex‑vice-presidente e ex‑administrador da SAD encarnada avançou com uma ação judicial contra uma empresa do atual presidente do clube, Rui Costa, para recuperar 500 mil euros emprestados para o empreendimento Dream Living, operação que fontes ligadas ao universo benfiquista admitem ter “contribuído para a cisão” entre os dois. 

De acordo com a revista Sábado, a ação deu entrada a 21 de janeiro de 2025 no Tribunal da Comarca de Oeiras contra a sociedade 10 Invest – Investimentos Imobiliários, Lda., veículo do grupo empresarial de Rui Costa. Em causa estava uma dívida de 500 mil euros da 10 Invest à sociedade Sf & Ll – Espaços Imóveis, SA, detida por Luís Mendes, relativa a um empréstimo para “apoiar um projeto imobiliário” de grandes dimensões na serra de Carnaxide, o condomínio de luxo Dream Living. Uma fonte próxima de Rui Costa, que falou à revista “com o conhecimento do presidente do Benfica”, admite a existência da dívida e explica que, perante uma “situação de falta de liquidez de tesouraria” no início de 2024, o empréstimo surgiu “num contexto de proximidade e de confiança” entre ambos, então a trabalhar juntos no clube da Luz.

A mesma fonte garante que, quando Luís Mendes pediu a demissão do clube em junho de 2024, Rui Costa “achou que era melhor devolver aquele montante, de imediato”, e que “não houve qualquer problema”. Porém, o dinheiro só regressou à esfera do queixoso depois de o litígio chegar a tribunal. A revista refere que o processo judicial foi “uma surpresa” para o círculo do presidente encarnado e que a dívida acabou por ser saldada em junho de 2025, com o pagamento de 502.445,21 euros – valor que já incluía juros e custas processuais – à sociedade de Luís Mendes, um ano após a sua saída da estrutura do Benfica.

A revista enquadra este episódio num percurso empresarial marcado por dificuldades. Criada em 2006, a 10 Invest é a base dos investimentos imobiliários de Rui Costa e está hoje arguida em quatro processos cíveis, além da questão já resolvida com Luís Mendes. Três desses dossiês estão relacionados com o próprio Dream Living – um projeto de seis edifícios e 90 apartamentos, apresentado em 2018 em parceria com o JPS Group, mas sucessivamente atrasado por derrapagens financeiras, problemas técnicos e o impacto da pandemia e da guerra na Ucrânia

Apesar de parte dos imóveis já estar entregue e de existirem ações em tribunal por atrasos e alegadas inconformidades, fontes ligadas ao projeto garantem à Sábado que o objetivo continua a ser concluir o empreendimento até ao final de 2026 ou início de 2027, num cenário que a própria revista descreve como marcado por “desgaste muito grande” para o líder encarnado.

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