Notícias

25 Fev

Pressão orçamental bloqueia investimentos nas casas portuguesas

A habitação continua a ser uma prioridade central de investimento e valorização para a maioria das famílias em Portugal, mas os custos estão a bloquear decisões estruturais, sobretudo em termos de transição energética e de conforto do lar.

Esta é a principal conclusão do estudo “Habitação: um compromisso com transição energética sob pressão financeira”, do Observador Cetelem, que analisa a perceção dos portugueses face à habitação. De acordo com o relatório, 90% dos portugueses sentem uma ligação à sua casa e 94% dizem estar satisfeitos com a mesma. Contudo, esta satisfação é maioritariamente moderada (56%) e apenas 38% estão totalmente satisfeitos.

Relativamente aos custos de manutenção, o cenário já é bem diferente, com apenas 33% das pessoas a afirmarem estar totalmente satisfeitas. Também no que respeita ao estado de conservação dos imóveis, apenas 28% demonstram satisfação total. Já quando o tema é o conforto térmico, 30% dos inquiridos avaliam-no de forma negativa e 22% dizem-se insatisfeitos com o isolamento dos seus imóveis.

Energia como maior foco de incerteza para as famílias

A fatura energética está no centro das preocupações dos portugueses, uma vez que 69% dos inquiridos confessam ter receio do aumento dos preços da eletricidade e 54% chega mesmo a afirmar ter medo de não conseguir pagar futuramente as faturas relativas a essas despesas.

Quase a totalidade dos entrevistados (93%) reconhece que o desempenho energético tem influência no valor de mercado do imóvel e 69% das pessoas que renovaram a sua habitação conseguiram reduzir os valores nas faturas. Apesar disto, os custos do investimento na eficiência energética foram a causa de 71% das desistências de realização de obras.

Segundo Hugo Lousada, Diretor de Marketing, B2B & B2C da Cetelem, “os resultados deste estudo mostram que a casa continua a ser o porto de abrigo dos portugueses, mas é um abrigo sob pressão”. O responsável revela ainda existir “uma consciência clara de que a eficiência energética valoriza o património, traz mais conforto e reduz custos, mas a disponibilidade financeira condiciona a realização de projetos de remodelação”. 

“Em 2026, o desafio passa por tornar acessíveis soluções que facilitem a concretização destes projetos, bem como a transição energética, garantindo que o conforto e a sustentabilidade não sejam adiados por limitações orçamentais”, conclui Hugo Lousada.

Portugueses valorizam mais o conforto do que o ambiente

Este estudo da Cetelem conclui ainda que 42% dos portugueses investem nas suas habitações por motivos de conforto, enquanto apenas 7% admitem motivações ambientais. Para este ano, 41% dos inquiridos admitem a possibilidade de realizar obras em casa e apenas 14% garantem que as vão fazer.

Relativamente ao financiamento para as obras, 48% afirma recorrer a capitais próprios, 29% farão pronto pagamento, 27% vão recorrer à subscrição de um crédito para obras de renovação e 17% tentarão ter acesso a ajudas públicas. Visto que 46% dos jovens até aos 35 anos de idade considera o crédito uma ferramenta natural e ágil de valorização do património, o Observador Cetelem prevê uma transformação no mercado.

Publicações Relacionadas