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14 Ago

Um espetacular bungalow dos anos 60 renasce no bosque de Gante

A arquitetura residencial de meados do século XX possui um encanto intemporal que, com a intervenção certa, se pode transformar numa autêntica joia do mercado imobiliário atual. A renovação de um bungalow dos anos 60, situado num frondoso bosque em Sint-Martens-Latem, muito perto de Gante, é um exemplo disso.

O estúdio belga Decancq Vercruysse foi o responsável por dar uma nova vida a esta habitação de piso único. As fachadas exteriores foram cuidadosamente restauradas para preservar a sua essência, e o interior sofreu uma transformação espacial completa a partir do seu esqueleto estrutural.

A reforma conseguiu adaptar a casa ao estilo de vida contemporâneo de uma família jovem, sem perder o piscar de olho estético à época em que foi construída.

Entre a vida social e a privacidade

Um "chapéu" realça a presença da lareira.

Chaminé com “chapéu”

Eric Petschek

Os designers perceberam que, apesar de a estrutura básica do imóvel se encontrar num excelente estado de conservação, a distribuição interior precisava de ser repensada. Assim, o primeiro passo foi a mudança da entrada principal.

Originalmente orientada para o jardim das traseiras, a porta de acesso foi transferida para a fachada oposta, virada diretamente para o bosque. Esta decisão preserva a privacidade do terreno perante olhares indiscretos e cria uma sequência de chegada monumental, através de enormes lajes que funcionam como degraus integrados na paisagem natural.

No interior, esta mudança de acesso foi aproveitada para reorganizar a casa de forma lógica e funcional. Tratando-se de um bungalow, era essencial criar uma transição suave entre as zonas de dia e as zonas de noite. A antiga área do vestíbulo foi brilhantemente reconvertida num espaço flexível, composto por uma zona de trabalho ou sala de jogos com uma grande secretária rebatível.

Escritório

Escritório

Eric Petschek

Esta peça de mobiliário feita por medida funciona como elemento mediador, separando o burburinho das áreas sociais da tranquilidade da ala dos quartos.

Optou-se por uma planta aberta, unificando cozinha, sala e sala de jantar. O eixo estruturante deste espaço é uma imponente lareira central, com um peitoril de tijolo pintado de branco que se projeta em consola em três direções, organizando à sua volta os diferentes usos da sala e tornando-se o coração da casa.

Madeira de afrormósia

Madeira de afrormósia

Eric Petschek

Uma viagem aos anos 60 com o conforto do século XXI

O sucesso de uma reforma integral mede-se pela fluidez dos espaços e pela escolha dos materiais. O design de interiores proposto pelo estúdio é contemporâneo, mas as suas formas, texturas e acabamentos prestam homenagem aos pormenores arquitetónicos dos anos sessenta, alcançando uma coerência notável entre o antigo e o novo.

O tijolo à vista pintado de branco protagoniza a grande lareira central, e é um elemento recorrente que dialoga com o tratamento das fachadas exteriores, esbatendo os limites entre o interior da casa e o bosque que a rodeia.

Parede envidraçada

Parede envidraçada

Eric Petschek

O trabalho de marcenaria merece uma menção especial, uma vez que toda a carpintaria, feita por medida, foi executada em afrormósia, uma madeira de tons escuros e veio elegante, muito semelhante à teca. Para reforçar essa estética “Mid-Century”, os arquitetos aplicaram um brilho subtil aos acabamentos desta madeira, uma técnica típica da época que confere aos espaços uma inegável sofisticação.

Este material contrasta com os toques em aço inoxidável presentes na cozinha e nas casas de banho, onde se destacam elementos de design fundamentais, como um par de lavatórios gémeos de clara inspiração retro e prateleiras flutuantes.

Para pavimentar a casa e delimitar visualmente os espaços sem necessidade de levantar paredes divisórias, optou-se por um jogo de texturas no chão, alternando elegantes mosaicos quadrados de pedra com zonas de alcatifa, que trazem calor e conforto acústico.

Lareira central

Lareira central

Eric Petschek

A distribuição redesenhada alberga três amplos quartos. A suite principal tem uma casa de banho cuja parede envidraçada permite aos proprietários desfrutar de um banho relaxante com vistas ininterruptas sobre a imensidão do bosque. Por fim, um singular “chapéu” sobre uma das lareiras exteriores, pensado para acentuar a sua verticalidade, oferece um pormenor interessante.

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