Serviços de reparação de telhados: procura dispara 318% e preços sobem
Depois das fortes tempestades que assolaram o país nas últimas semanas, registou-se um forte aumento na procura por serviços para construção e reparação de telhados e coberturas durante o mês de fevereiro, com os preços a acompanharem esse crescimento.
Na Fixando, plataforma de contratação de serviços online, a procura por este tipo de serviços aumentou 318% no mês passado, face a janeiro, o que levou a que 44% dos pedidos tivessem ficado sem resposta.
“Estamos perante o maior crescimento de sempre, desde a criação da Fixando em 2017, quer em volume quer em duração”, indica, em comunicado, Alice Nunes, Diretora de Novos Negócios da empresa, frisando que “esta aceleração está a exercer uma forte pressão sobre a oferta disponível” e que “o aumento de 318% é um sinal claro de que existe uma necessidade urgente destes serviços no mercado”.
A responsável alerta, no entanto, para o facto de que “a atual capacidade de resposta não está a acompanhar este ritmo, sobretudo em distritos do interior, onde já existia menor densidade de profissionais” e que “este é um momento crítico para reforçar a presença de especialistas nestas regiões”.
Distritos de Leiria e Lisboa lideram pedidos
O distrito de Leiria foi um dos mais afetados pelas depressões deste inverno e, por isso, concentra 21% dos pedidos, à semelhança de Lisboa.
A procura na Fixando por estes serviços de reparações distribui-se da seguinte forma:
- Leiria – 21% dos pedidos
- Lisboa – 21% dos pedidos
- Setúbal – 12% dos pedidos
- Santarém – 9% dos pedidos
- Porto – 9% dos pedidos
Pedidos sem resposta concentram-se mais no Interior
Os principais distritos onde se verifica uma maior percentagem de pedidos sem resposta, devido à falta de especialistas, são os seguintes:
- Bragança – nenhum pedido com resposta
- Guarda – 88% dos pedidos sem resposta
- Beja – 84% dos pedidos sem resposta
- Viseu – 71% dos pedidos sem resposta
- Vila Real – 67% dos pedidos sem resposta
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Desfasamento entre procura e oferta faz disparar preços
O valor médio cobrado por serviços de construção e reparação de telhados e coberturas fixou-se nos 1.059 euros no passado mês de fevereiro, um aumento de 219 euros (+26%) face a janeiro.
É provável que, durante as próximas semanas, os preços continuem a aumentar, caso a oferta não acompanhe o ritmo acelerado da procura.
Especialistas comentam preços e recomendam prevenção
Na nota da Fixando, vários especialistas explicam este aumento nos preços. “O valor de mercado é variável, mas é importante notar que intervenções em telhados são, por norma, as mais dispendiosas. Isto deve-se ao facto de, na maioria das vezes, ser necessária uma substituição integral e não apenas uma reparação pontual. Um dos grandes desafios técnicos é que as empresas de cerâmica alteram com frequência o tamanho e o encaixe das telhas, o que impossibilita a substituição parcial em telhados mais antigos, elevando o custo da obra”, informa Fernando Verdolin, da Agile Build (Andando e Patilhando, Unipessoal Lda).
Por sua vez, Levi Torres explica que o valor dos serviços de recuperação de telhado é aproximadamente “250 euros o metro quadrado”, mas que quando se trata de infiltrações e estrutura “é necessário uma visita técnica para avaliação da área afetada” e que, só depois disso, é possível apresentar valores.
“Quanto aos valores estimados para uma recuperação deste nível tudo vai depender da dimensão do estrago e as necessidades de cada cliente. Mas sempre a contarmos com valores até 50.000 euros aproximadamente”, indicam especialistas da empresa Acoteia.
Relativamente aos trabalhos de preventivos, para minimizar situações mais alarmantes como as que se verificaram no país com a passagem das depressões, os especialistas destacam, sobretudo, a manutenção, como explica Fernando Verdolin da Agile Build: “A prevenção passa obrigatoriamente pela manutenção preventiva sazonal: limpeza de algerozes, verificação de rufos e impermeabilização de juntas e fissuras antes da época das chuvas. O custo destas intervenções é significativamente inferior ao de uma reconstrução pós-tempestade, funcionando como um seguro para a integridade da estrutura. Ignorar estas pequenas manutenções acaba por resultar em danos estruturais muito mais graves e caros”.
Já Tiago Cardoso da Tcc Remodelações de Confiança, destaca a importância da utilização de “estruturas em aço, ferro e materiais de qualidade em isolamento”, enquanto Rodrigo Bárea da Costa Brilhante acrescenta que se deveria “cortar árvores no perímetro da casa e fazer manutenções a cada três anos”.
“Infelizmente, a procura por prevenção real ainda é reduzida. O que verificamos é um volume altíssimo de pedidos de orçamentação, muitas vezes motivados apenas pela curiosidade ou necessidade de comparação, sem que haja uma real intenção de fechar negócio ou investir na saúde do imóvel a longo prazo”, explica ainda Fernando Verdolin.
“De prevenção ainda não me chegou nenhum pedido. Na altura da chuva 70% dos trabalhos eram telhados isolamento, nesta altura 20% e agora é possível fazer esse tipo de trabalhos. Não acredito que sature o mercado, só quando acontece algo é que as pessoas se lembram”, conclui Tiago Cardoso.
