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01 Abr

Qualidade dos escritórios influencia aceitação do trabalho híbrido

A qualidade da experiência proporcionada pelo local de trabalho é o principal fator do sucesso do trabalho híbrido em Portugal, mais que as políticas de presença. Atualmente, a deslocação ao escritório já não é tanto vista como uma obrigação, mas os trabalhadores acreditam que a sua experiência no espaço de trabalho poderá ser melhorada, sobretudo no que respeita às valências da zona envolvente.

Esta é uma das principais conclusões do ‘Workforce Preference Barometer 2026’, da JLL, um estudo que contou um total de 8.700 inquiridos em 31 países. De Portugal foram inquiridos cerca de 200 trabalhadores, sendo 74% pertencentes ao setor privado e 26% ao setor público. A maioria dos inquiridos trabalha em áreas tecnológicas (18%), seguindo-se os serviços financeiros, banca e seguros (8%). Participaram também trabalhadores dos setores do consumo, energia, logística, automóvel, telecomunicações, transportes, saúde, educação e indústria. A região de Lisboa concentrou mais de metade (56%) dos participantes enquanto o Porto concentrou cerca de 29%. No que respeita a faixas etárias, metade dos inquiridos tinha entre 30 a 50 anos.

Segundo o estudo, 65% dos trabalhadores portugueses estão abrangidos por políticas estruturadas de presença e mais de 40% trabalham no escritório cinco dias por semana. Cerca de 65% demonstra um sentimento positivo relativamente a este tipo de políticas laborais, embora a aceitação do trabalho híbrido esteja a ser cada vez mais condicionada pela qualidade e experiência no escritório. Um em cada dois trabalhadores nacionais inquiridos acredita que a experiência laboral pode melhorar, apontando a qualidade ambiental da zona envolvente, a identidade do bairro e as valências e serviços da localização como os aspetos menos satisfatórios. À semelhança dos outros países europeus, a segurança do local e mobilidade são os fatores mais valorizados.

“Os colaboradores portugueses estão disponíveis para ir ao escritório — desde que isso melhore o seu dia a dia. Flexibilidade, equilíbrio e uma experiência de trabalho cuidada deixaram de ser benefícios adicionais e tornaram‑se elementos essenciais para atrair, motivar e reter talento em Portugal”, revela, em comunicado, Andreia Almeida, Head of Research da JLL Portugal. 

De acordo com a responsável, “melhorar a experiência no escritório, reforçar as condições de bem‑estar e investir em verdadeira flexibilização são hoje prioridades estratégica”. E acrescenta: “As empresas que o fizerem estarão mais bem posicionadas num mercado de talento altamente competitivo, onde o imobiliário assume um papel decisivo”.

Escritório

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Satisfação dos portugueses supera média europeia

De acordo com o ‘Workforce Preference Barometer 2026’, os níveis globais de satisfação dos colaboradores portugueses são superiores à média europeia, reconhecendo entre os aspetos mais positivos do regresso ao escritório a colaboração com os colegas de trabalho e o apoio ao trabalho de concentração.

Por toda a Europa, mas de modo particularmente expressivo em Portugal, é a socialização que se destaca nos aspetos mais positivos do trabalho no escritório, proporcionando um sentimento de prazer de estar no espaço e promovendo a ligação à cultura da empresa.

Mobilidade e bem-estar no topo das prioridades

Metro Lisboa

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A principal prioridade apontada pelos inquiridos portugueses é a mobilidade, com o transporte gratuito ou o subsidiado a surgir como o benefício mais desejado. Em seguida surgem os serviços ligados ao bem-estar, como a saúde e a alimentação. 

Já no que respeita à escolha e permanência numa empresa, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional surge como fator determinante para 71% dos colaboradores em Portugal, à frente da remuneração (64%).

Pouca flexibilidade horária é o maior entrave

Como aspetos negativos do trabalho híbrido surge a pouca flexibilidade horária e a obrigatoriedade de dias fixos na empresa. Atualmente, 58% dos inquiridos afirma que gostaria de ter horários mais flexíveis (apenas 42% possuem esse benefício).

A obrigatoriedade de dias fixos no escritório é também um dos aspetos negativos apontados pelos trabalhadores, com 35% a referir este fator como principal motivo de insatisfação, afirmando mesmo ter um impacto negativo na sua qualidade de vida.

Bem-estar: o fator crítico na retenção de talento

Burnout

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Apesar de a procura por melhores condições salariais ser o principal motivo de mudança, este estudo revela que o risco de ‘burnout’ é uma preocupação cada vez maior e que pode influenciar a decisão de permanecer ou não na empresa. Este problema foi uma das principais razões apontadas por cerca de 57% dos colaboradores em Portugal que pensaram em despedir-se. 

Citada na nota, Sofia Tavares, Head of Leasing Advisory da JLL, refere que “num contexto de estabilização do modelo híbrido, as empresas que investirem na melhoria do ambiente de trabalho — desde o edifício à localização, passando pelos serviços e pela conectividade — estarão mais bem preparadas para atrair talento e sustentar políticas de presença”, acrescentando que “a qualidade do escritório deixou de ser apenas uma infraestrutura operacional e passou a ser parte integrante da proposta de valor das organizações”.

“Com uma força de trabalho mais exigente e uma valorização crescente da experiência no escritório, entramos num novo ciclo do mercado corporativo, em que o foco passa definitivamente do espaço enquanto infraestrutura para o espaço enquanto experiência”
Sofia Tavares, Head of Leasing Advisory da JLL

Segundo a responsável, “os dados revelam que os portugueses estão disponíveis para regressar ao escritório, mas apenas quando isso faz sentido e melhora o seu dia a dia”, identificando uma “oportunidade clara” no mercado imobiliário: “Criar espaços que respondam às necessidades funcionais, mas que também inspirem, promovam bem‑estar e reforcem a cultura organizacional”. 

“Com uma força de trabalho mais exigente e uma valorização crescente da experiência no escritório, entramos num novo ciclo do mercado corporativo, em que o foco passa definitivamente do espaço enquanto infraestrutura para o espaço enquanto experiência”, conclui Sofia Tavares.

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