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11 Mar

Guerra no Médio Oriente: como gerir a ansiedade e o stress do conflito

A escalada da guerra no Médio Oriente tem sido um dos maiores receios no cenário internacional. A situação agravou-se com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro, seguidos pelo lançamento de mísseis e drones dirigidos a Israel e a várias monarquias árabes do Golfo, regiões que acolhem bases das forças norte-americanas.

Perante o risco de fecho de rotas estratégicas de aviação e de uma escalada militar direta entre potências, é natural que muitas pessoas sintam o peso destas notícias no seu dia a dia. Se a sucessão de informações sobre mísseis, drones e conflitos está a afetar o teu sono ou a provocar ansiedade, não estás sozinho. Existem formas de lidar com este stress informativo, e partilhamos algumas estratégias que podem ajudar a recuperar equilíbrio e tranquilidade.

Guerra no Médio Oriente: quais são os impactos na minha rotina?

campo de refugiados

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O Médio Oriente atravessa um período de instabilidade geopolítica elevada, cujas consequências já ultrapassam as fronteiras da região. Embora os conflitos tenham raízes históricas, territoriais, religiosas e políticas, os seus efeitos podem ser sentidos em Portugal e na Europa, especialmente nos mercados financeiros.

Na prática, isso significa que acontecimentos a milhares de quilómetros podem afetar diretamente o dia a dia das famílias, incluindo:

  • Preços dos combustíveis, que podem subir devido a tensão nos mercados do petróleo
  • Taxas de juro dos créditos, que podem variar com a instabilidade económica
  • Custos de produtos e serviços, refletindo o impacto global na economia

Mesmo sem ligação direta ao conflito, a guerra no Médio Oriente pode alterar decisões financeiras e despesas do dia a dia.

Porque razão o conflito afeta a economia europeia?

gráficos económicos

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Existem vários fatores que explicam esta ligação entre a instabilidade no Médio Oriente e a economia global:

  • Dependência energética: a região concentra alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo. Qualquer ameaça ao fornecimento, como eventuais bloqueios no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa do petróleo mundial pode provocar subidas rápidas nos preços da energia e dos combustíveis. Países altamente dependentes do petróleo, como a China, podem sentir impactos económicos significativos, que se refletem também nos mercados globais;
  • Impacto na inflação: quando o preço do petróleo sobe, aumentam também os custos de transporte e produção. Esse efeito tende a refletir-se no preço de bens essenciais, desde os alimentos a serviços, o que faz subir também a inflação;
  • Decisões dos bancos centrais: um cenário de inflação persistente pode levar instituições como o Banco Central Europeu a manter as taxas de juro elevadas por mais tempo. Para muitas famílias, isso significa custos mais altos no crédito à habitação e um impacto direto no orçamento doméstico.

Quem está envolvido no conflito?

Vakil Mosque, Shiraz no Irão

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A rede de atores na região é complexa e envolve vários países e grupos com interesses diferentes:

  • Israel e Palestina: o conflito histórico continua a ser o principal foco de tensão, sobretudo na Faixa de Gaza e na Cisjordânia;
  • Irão e Israel: a rivalidade regional intensificou-se com ataques diretos, aumentando o risco de escalada militar;
  • Grupos aliados do Irão: como os Houthis, no Iémen, que têm atacado rotas marítimas comerciais, ou o Hezbollah, no Líbano;
  • Potências externas: países como os Estados Unidos e a Rússia mantêm influência estratégica e apoio a diferentes aliados na região.

No conjunto, esta rede de alianças e rivalidades aumenta a incerteza internacional e pode gerar efeitos indiretos na economia europeia, que acabam por chegar à rotina das famílias através dos preços, dos juros e do custo de vida.

Tenho voo para a Ásia e Médio Oriente: o que fazer?

avião

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A guerra no Médio Oriente está a provocar aquela que é considerada a maior crise no setor da aviação desde a pandemia. Desde o início do conflito, mais de 37 mil voos foram cancelados, afetando rotas internacionais que ligam a Europa à Ásia e a outras regiões do mundo.

Entre os passageiros afetados estão também portugueses retidos em países asiáticos e do Médio Oriente, enquanto aguardam novas informações das companhias aéreas, que enfrentam sucessivas remarcações e cancelamentos. O impacto é particularmente significativo porque o Médio Oriente funciona como um dos principais pontos de ligação da aviação mundial, conectando rotas entre:

  • Europa
  • Ásia
  • América
  • Oceânia

Com várias áreas do espaço aéreo consideradas de risco, muitos aviões são obrigados a contornar a região, o que provoca:

  • Viagens mais longas
  • Maior consumo de combustível
  • Alterações de horários

Como consequência, o preço das passagens tende a subir, pressionado também pelo aumento do petróleo e do querosene de aviação. Se tens uma viagem marcada para a Ásia ou Médio Oriente, o mais aconselhável é acompanhar a situação de perto. As principais recomendações são:

  • Verificar regularmente o estado do voo no site da companhia aérea
  • Acompanhar comunicados e alertas das transportadoras
  • Contactar a embaixada portuguesa local, se estiveres no estrangeiro
  • Avaliar opções de remarcação ou reembolso, caso o voo seja afetado

Como a situação pode mudar rapidamente, cancelamentos, alterações de horário ou mudanças de rota podem acontecer com pouca antecedência.

Para quem tem viagens marcadas para os próximos meses ou para o final do ano, é aconselhável seguir as recomendações das companhias aéreas e verificar regularmente o estado do voo.

Efeitos da Guerra no Médio Oriente na economia portuguesa 

guerra no irão

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O aumento da tensão no Médio Oriente já se refletiu na confiança dos investidores. O risco associado à dívida portuguesa a dois anos face à Alemanha disparou, passando de 3,6 para 8 pontos base entre o final de fevereiro e o início de março de 2026, o maior aumento na Zona Euro nesse período.

O preço do petróleo subiu para mais de 93 dólares por barril, o que gera receios de inflação e pode levar o Banco Central Europeu a manter as taxas de juro altas por mais tempo. Esta situação também pressiona a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), porque grande parte do financiamento do Estado para 2026 ainda precisa de ser conseguido.

Se os investidores continuarem a ver Portugal como um país mais arriscado, o custo do dinheiro que o Estado pede emprestado pode subir, o que acaba por afetar o bolso das famílias.

Como lidar com a ansiedade provocada pela guerra? 

ioga

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A exposição constante a notícias de bombardeamentos e crises financeiras pode gerar stress. É importante:

  • Manter as tuas rotinas saudáveis: deverás ter uma rotina de sono saudável , alimentar-te corretamente e fazer exercício físico para que consigas manter o equilíbrio físico e emocional;
  • Conversar sobre os sentimentos: partilhar as tuas preocupações com familiares, amigos ou até mesmo com profissionais de saúde mental que estão preparados para este tipo de contextos internacionais e que te poderão ajudar a aliviar a ansiedade;
  • Limitar estímulos negativos: evita ouvir ou ler notícias em demasia ou antes de dormir. Deverás, inclusive, silenciar as notificações que possam aumentar o stress;
  • Focar no presente e nas pequenas ações: concentra-te em tarefas do dia a dia que podes controlar, como organizar a casa, trabalhar num projeto pessoal ou aprender algo novo.

Aproveita este tempo de instabilidade internacional para te voltares para o interior. Talvez seja bom começar aquela atividade física que tanto querias, dedicar menos tempo ao telemóvel e mais tempo àquilo que realmente te faz sentir presente.

Em vez de procurar respostas fora, talvez seja o momento de escutar mais o que se passa dentro de ti. Uma caminhada ao final do dia, alguns minutos de silêncio pela manhã, ou até aquela aula de ioga, corrida ou natação que tens vindo a adiar há meses podem tornar-se pequenos refúgios no meio deste ruído.

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