Estes são os queijos típicos do Grupo Central do arquipélago dos Açores
Se gostas de ir além das fotografias de paisagem e queres provar a essência dos produtos típicos dos Açores, então os queijos mais típicos do Grupo Central do arquipélago têm de entrar no teu roteiro de viagem.
As ilhas Terceira, Graciosa, São Jorge, Faial e Pico têm uma combinação de humidade, temperaturas amenas e solos de origem vulcânica que favorecem pastagens praticamente todo o ano. Isso significa vacas ao ar livre e leite com uma riqueza aromática difícil de replicar noutros contextos.
Historicamente, os queijos surgem como forma de conservar o leite em ilhas que dependiam de viagens de barco demoradas e irregulares. Era preciso criar um produto resistente, com boa durabilidade, que pudesse ser consumido meses depois, seja na própria ilha, seja no continente. É daqui que nascem queijos de pasta dura e semi-dura, com cura longa.
Variedades de queijo do Grupo Central dos Açores que deves experimentar
Queijo São Jorge DOP, Ilha de São Jorge
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O Queijo São Jorge DOP é provavelmente o mais famoso queijo do Grupo Central e um dos queijos portugueses mais reconhecidos. É um queijo de vaca curado, geralmente em formato de roda grande, com pasta firme a dura, de cor amarelada. O sabor é intenso, levemente picante, com notas de noz e manteiga, que se acentuam com o tempo de cura (que normalmente vai de 3 a 7 meses ou mais, dependendo da versão).
Curiosidade:
A produção de queijo na Ilha de São Jorge é documentada desde o século XV, e o queijo acabou por se tornar quase sinónimo da ilha. Em termos sensoriais, é um queijo que “enche a boca”, ideal para cortar em fatias grossas, acompanhar com pão de milho, compotas ou um bom vinho açoriano.
Queijo da ilha Graciosa
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O queijo da ilha Graciosa é, em geral, um queijo de vaca curado ou semi-curado, com formato menor e textura mais suave do que o São Jorge. A pasta tende a ser semi-dura, com pequenos buracos e um sabor equilibrado, mais delicado, levemente amanteigado, com salinidade moderada.
A Graciosa, conhecida como a “Ilha Branca” pela paisagem mais suave e pelas casas caiadas, reflete esse perfil também no queijo: menos intenso, mais delicado. Há versões artesanais e outras produzidas em maior escala, mas em todas encontras o traço comum do leite de vaca alimentada em pasto aberto. É um queijo muito versátil, bom tanto para sandes e tostas como para tábuas de queijos.
Queijo de vaca curado da Ilha Terceira
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Na Ilha Terceira, mais conhecida por festas e pela cidade de Angra do Heroísmo, o queijo de vaca curado é um dos protagonistas da mesa. Não há um único “modelo oficial”, mas sim várias produções, que vão de queijos de pequena dimensão a rodas maiores, com tempos de cura variáveis. Em geral, são queijos de pasta semi-dura a dura, com sabor mais robusto, notas lácteas intensas e um ligeiro toque picante em versões mais envelhecidas.
A Terceira é uma ilha com forte tradição agropecuária e cooperativas leiteiras ativas. O queijo surge como prolongamento lógico dessa realidade. Em termos de especialidades regionais portuguesas, os queijos terceirenses encaixam bem na mesa ao lado de enchidos típicos, alcatra ou simplesmente como petisco com vinho da ilha.
Queijo “O Morro”, Ilha do Faial
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O queijo “O Morro” é um queijo de vaca produzido na Ilha do Faial, que ganhou nome e reconhecimento regional graças à sua qualidade e identidade própria. Trata-se de um queijo curado, de pasta firme, cor amarelada e sabor intenso, em que se notam tanto a componente láctea como uma certa complexidade vinda da cura.
O nome remete para a geografia do Faial, ilha marcada pelo vulcão dos Capelinhos e por relevos que influenciam clima e pasto. Sensorialmente, é um queijo com presença à mesa: ótimo para tábuas, para acompanhar com pão regional ou para integrar receitas gratinadas. Para quem se pergunta “o que comer no Faial” para além da clássica caldeirada de peixe, o queijo “O Morro” é uma resposta muito acertada.
Queijo do Pico DOP, Ilha do Pico
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O Queijo do Pico DOP é outra joia do Grupo Central. Tradicionalmente, é um queijo de vaca curado, de tamanho relativamente pequeno, pasta semi-dura e crosta fina, muitas vezes com ligeira cobertura salina à superfície.
O sabor é marcante, com notas salgadas e lácteas bem definidas, e uma textura que pode ser ligeiramente quebradiça, sobretudo junto à crosta.
A curiosidade cultural aqui é dupla:
- O Pico é mais conhecido pelas vinhas em curraletas de pedra negra vulcânica (Paisagem da Cultura da Vinha, Património Mundial da UNESCO);
- Uma tábua com queijo do Pico DOP e um copo de vinho do Pico é, provavelmente, uma das combinações mais fiéis ao espírito da ilha.
Onde provar ou comprar queijos típicos do Grupo Central dos Açores?
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Se queres saber onde provar queijos do Grupo Central dos Açores, o ideal é aproximares-te o mais possível da origem, como:
- Queijarias locais e cooperativas: em São Jorge, Pico, Terceira e outras ilhas, existem cooperativas e queijarias que produzem e vendem diretamente ao público. Muitas têm lojas próprias onde podes comprar queijo São Jorge DOP, queijo do Pico DOP e queijos curados locais;
- Mercearias tradicionais e minimercados: nas vilas e cidades, as mercearias são bons sítios para encontrares queijos da ilha, muitas vezes vindos de pequenos produtores;
- Restaurantes típicos: quando te sentares num restaurante que valorize produtos típicos da região, pede uma tábua de queijos açorianos. Muitos estabelecimentos trabalham com queijos da Terceira, Graciosa, São Jorge, Faial e Pico como entrada ou sobremesa salgada;
- Mercados municipais: mercados em Angra do Heroísmo, Horta, Madalena, Velas ou Santa Cruz da Graciosa costumam reunir bancas de produtores locais, onde o queijo tem lugar de destaque;
- Lojas de produtos regionais em aeroportos e zonas turísticas: nos aeroportos das ilhas ou nas principais ruas turísticas, encontras lojas dedicadas a produtos açorianos, com seleção de vários queijos embalados a vácuo, prontos a viajar contigo.
Dicas para escolher o melhor queijo típico
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Quando estiveres perante uma prateleira cheia de queijos açorianos, estas dicas ajudam-te a acertar na escolha:
- Verifica a origem no rótulo: procura a indicação da ilha: Terceira, Graciosa, São Jorge, Faial ou Pico. Para DOP, confirma se o selo oficial está presente;
- Olha para a textura e aspeto: queijos curados: crosta íntegra, sem fendas estranhas ou bolores indesejáveis; pasta homogénea; Queijos semi-curados: superfície limpa, ligeira elasticidade ao toque.
- Confere o tempo de cura (quando indicado): se gostas de sabores mais fortes e picantes, escolhe curas mais longas; se preferes algo suave, opta por queijos mais jovens;
- Pergunta pela data de produção e validade: para levares para o continente, por exemplo, é útil saber quanto tempo ainda tens para consumir o queijo em boa condição;
- Pede para provar: em mercados e algumas queijarias, é comum oferecerem uma pequena prova. Usa essa oportunidade para escolher o perfil que mais gostas;
- Conserva corretamente: em viagem: transporta em saco térmico, se possível; Em casa: guarda no frigorífico, idealmente embrulhado em papel vegetal ou pano, não diretamente em plástico hermético, para evitar humidade em excesso;
- Melhor altura para consumir: primavera e verão são momentos fortes de produção, quando o pasto está mais rico, mas encontras bons queijos todo o ano. Em viagens fora da época alta, tens ainda a vantagem de menor pressão turística nos pontos de venda.
Vale a pena experimentar os queijos típicos do Grupo Central dos Açores?
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Vale, e muito. Se estás a preparar uma viagem e a perguntar-te o que comer nos Açores, estes queijos são resposta certa.
O Queijo São Jorge DOP, o queijo do Pico DOP, o queijo da ilha Graciosa, o queijo de vaca curado da Terceira e o queijo “O Morro” do Faial contam, à sua maneira, histórias de adaptação ao clima, ao isolamento e à necessidade de conservar o que a terra dá.
A descrição sensorial é fácil de imaginar: fatias firmes, de cor dourada, aroma a manteiga e pasto, picância subtil a crescer na boca, textura que se desfaz lentamente ao mastigar, talvez ao lado de um copo de vinho açoriano e de uma janela aberta para o Atlântico.
É esse conjunto – sabor, lugar, contexto – que transforma estes queijos em verdadeiras especialidades regionais portuguesas.







