Despesas com a casa pesam mais no bolso das famílias no início de 2026
O início de cada ano traz revisões dos preços em várias atividades económicas. E isso acaba por se refletir nas despesas do dia a dia com restaurantes, transportes, saúde, alimentação e habitação. O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que as despesas com a casa foram mesmo as que mais aceleraram a subida no arranque de 2026, passando a contribuir mais para o crescimento da inflação em Portugal.
A inflação em Portugal aumentou 1,9% em janeiro de 2026, tendo mesmo desacelerado o crescimento homólogo face a dezembro de 2025 em 0,3 pontos percentuais (p.p.), tal como revelou o INE. Mas este número acaba por esconder variações dos preços bem distintas nas diferentes classes de despesas.
Foi mesmo o preço nos restaurantes e serviços de alojamento que mais aumentou no arranque de 2026 (+4,3% em termos homólogos), seguido dos serviços de educação (+4,2%). Estes aumentos anuais contrastam com as quedas nos preços assinaladas no setor da informação e comunicação (-2,3%) e no vestuário e calçado (-1,7%).

Despesas com habitação com maior aceleração de preços
O INE também detetou algumas diferenças na evolução anual dos preços entre janeiro de 2026 e dezembro de 2025. Assinalou, por exemplo, o aumento da taxa de variação homóloga da classe da Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, que passou de 1,5% no último mês do ano passado para 2,9% em janeiro (ou seja, aumentou 1,4 p.p.).
As despesas com a habitação foram mesmo as que mais aceleraram a subida entre estes dois momentos tento em conta todas as classes analisadas. E trata-se de uma inversão da tendência de desaceleração detetada desde maio de 2025. A atualização das rendas e das prestações da casa no início de 2026 pode ajudar a explicar, a par da evolução menos negativa dos produtos energéticos.
Perante esta evolução, o INE destaca “o aumento da contribuição para a variação homóloga do IPC [Índice de Preços do Consumidor] da classe da Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis. Em sentido contrário, destacam-se as classes dos Restaurantes e serviços de alojamento, dos Transportes, e do Lazer, recreação, desporto e cultura”, lê-se no boletim publicado na semana passada.

Em termos de variação mensal, a inflação em Portugal registou uma variação negativa em janeiro de 2026, de -0,7% (0,1% no mês anterior.) “A classe com maior contributo negativo para a taxa de variação mensal do índice total foi a do Vestuário e calçado, com uma variação de -14,3% (-1,8% no mês precedente e -14,2% em janeiro de 2025). Em sentido inverso, a classe com maior contributo positivo para a taxa de variação mensal do IPC foi a dos Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, com uma variação de 0,6% (0,1% no mês anterior e 0,9% em janeiro de 2025”, explica o o instituto.
A um nível mais desagregado, o INE diz que entre as principais contribuições positivas para a inflação mensal estão “os sub-subgrupos do Restaurantes, cafés e estabelecimentos similares, do Peixe, vivo, fresco, refrigerado ou congelado, dos Lares residenciais para idosos e deficientes, dos Vinhos de uva e das Rendas efetivamente pagas pelos inquilinos pela residência principal”, que subiram 0,84% em janeiro face ao mês anterior.