Crédito habitação: montante total com maior subida desde 2006
O montante de créditos habitação existentes em Portugal está a crescer ao ritmo mais elevado desde 2006 (+10,4% num ano), revela o Banco de Portugal (BdP). Esta tendência pode ser explicada não só pela maior contratação de empréstimos para compra de casa (alimentada pelos apoios aos jovens e não só), mas também por haver hoje menos amortizações destes créditos.
Face a dezembro, “o stock de empréstimos para habitação aumentou 803 milhões de euros, totalizando 111,7 mil milhões de euros no final de janeiro”, o maior valor registado desde abril de 2010, explica o BdP liderado por Álvaro Santos Pereira na nota estatística divulgada esta quinta-feira, dia 26 de fevereiro.
Em comparação com o mês homólogo, o stock de créditos habitação existentes em Portugal cresceu 10,4% (10,1% em dezembro), “prolongando a trajetória de aceleração observada desde janeiro de 2024”, refere o BdP. Esta é mesmo maior taxa de crescimento anual desde fevereiro de 2006.
Este crescimento do valor total de empréstimos habitação em vigor no país pode ser explicada pela maior contratação de créditos para compra de casa nos últimos meses – apesar dos altos preços da habitação -, sustentada não só pelos apoios aos jovens (garantia pública e isenção de IMT), mas também por juros acessíveis e um mercado de trabalho estável.
A parte de tudo isto, tem-se vindo a assistir a uma redução das amortizações antecipadas. Recorde-se que desde o início de 2026 deixou de haver isenção da comissão por reembolso antecipado para créditos habitação a taxa variável, passando-se a pagar uma taxa de 0,5%.

O montante total de crédito habitação em Portugal continua a representar a grande maioria do stock de empréstimos concedidos a particulares que subiu para 145,5 mil milhões de euros em janeiro. Trata-se de um crescimento anual de 9,8%, o mais expressivo desde fevereiro de 2008.
Embora bem inferior, também se sentiu um crescimento do stock de empréstimos concedidos pelos bancos às empresas, de 3,7% em termos anuais, para um total de 74,1 mil milhões de euros. Em destaque está o crédito ao setor da construção e atividades imobiliárias que acelerou em janeiro, atingindo uma taxa de variação anual de 8,7% (8,5% em dezembro), revela ainda o boletim do supervisor bancário.