Notícias

10 Abr

Cortiça portuguesa voltou a viajar pelo espaço em missão da NASA

A cortiça portuguesa voltou a integrar uma missão da NASA, depois de já ter sido utilizada na Artemis I, em 2022. O material recolhido em território nacional foi novamente escolhido para integrar o sistema de proteção térmica da nave da missão Artemis II, revelou a Corticeira Amorim, reforçando o papel da indústria portuguesa em projetos aeroespaciais de elevada exigência tecnológica.

Utilizada como material isolante, a cortiça protege estruturas críticas da nave em componentes sujeitos a temperaturas extremas durante o voo. Assim, o material assegura a proteção da nave num dos “ambientes mais exigentes enfrentados” pela engenharia espacial, lê-se em comunicado citado pela imprensa nacional.

Em causa está um compósito de elevado desempenho conhecido na indústria aeroespacial como P50, desenvolvido a partir de cortiça. O material combina várias propriedades, incluindo isolamento térmico em condições de calor extremo, absorção de energia sob esforço mecânico, flexibilidade para adaptação a geometrias complexas e compatibilidade com sistemas compósitos avançados utilizados em estruturas espaciais.

Mas o que acontece ao material feito à base de cortiça quando é exposto ao calor intenso? “À medida que as temperaturas aumentam, o material sofre uma transformação controlada, formando uma camada carbonizada que reforça a resistência térmica e protege as estruturas subjacentes”, explicou Eduardo Soares, diretor de inovação da Amorim Cork Solutions, citado no documento.

Para o presidente executivo da Corticeira Amorim, António Rios de Amorim, a continuidade da cortiça nas missões Artemis demonstra “a fiabilidade” da cortiça portuguesa em contextos de elevada exigência. “No setor aeroespacial, a continuidade não é assumida — é conquistada através do desempenho”, afirmou, acrescentando que a empresa continua a desenvolver novas soluções para responder às necessidades futuras da indústria espacial, incluindo sistemas de proteção térmica mais sustentáveis.

Recorde-se que a missão Artemis II da NASA levou quatro astronautas a viajar até à órbita da Lua para testar a nave Orion e os sistemas de voo em espaço profundo. Com duração de 10 dias, a nave voltará à Terra esta sexta-feira, dia 10 de abril, com amaragem prevista no Oceano Pacífico, após dar a volta à Lua sem aterragem. A nave chegou a mais de 250 mil milhas (cerca de 400 mil km) da Terra, ultrapassando o recorde de distância alcançada por uma missão tripulada desde a era Apollo, escreveu o The Guardian.

Publicações Relacionadas