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21 Mar

Casa low-tox: como reduzir substâncias tóxicas em casa?

Cada vez se fala mais sobre a tendência do low-tox e sobre os produtos que realmente deves, ou não, ter em casa. A preocupação com os químicos presentes nos objetos do dia a dia tem vindo a crescer, desde os utensílios de cozinha e produtos de limpeza até móveis, têxteis e colchões.

Neste guia vais perceber até que ponto a tua casa pode estar exposta a componentes potencialmente tóxicos e que mudanças simples podes adotar para transformar o teu espaço num ambiente mais saudável.

O que significa uma casa low-tox?

Uma casa low-tox é um espaço onde procuras reduzir ao máximo a exposição a substâncias químicas potencialmente nocivas no dia a dia. 

Não significa eliminar todos os produtos ou viver de forma extrema, mas sim fazer escolhas mais conscientes:

  • Optar por materiais mais seguros;
  • Preferir fórmulas simples;
  • Garantir boa ventilação;
  • Escolher alternativas menos agressivas para a saúde e para o ambiente.

Passas grande parte do tempo em ambientes interiores, onde o ar pode concentrar substâncias libertadas por produtos e materiais. Mesmo em níveis baixos, a exposição contínua pode ter impacto na saúde ao longo do tempo.

Que produtos domésticos libertam químicos?

químicos de limpeza

Unsplash

Muitos dos produtos que utilizas diariamente podem libertar substâncias invisíveis que afetam a qualidade do ar e a tua saúde a longo prazo.

Entre os principais exemplos estão:

  • Velas perfumadas;
  • Ambientadores;
  • Produtos de limpeza e desinfetantes;
  • Panelas antiaderentes;
  • Tapetes, sofás e colchões;
  • Alguns cosméticos.

Principais tóxicos domésticos

Entre os principais tóxicos domésticos a que podes estar exposto encontram-se:

Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs)
Libertados por tintas, vernizes, detergentes, sprays e ambientadores. Podem causar irritação ocular e respiratória, dores de cabeça e fadiga.

PFAS (substâncias per e polifluoroalquiladas)
Estão presentes em panelas antiaderentes, têxteis impermeáveis, carpetes e alguns cosméticos. São persistentes no ambiente e podem afetar o sistema hormonal e imunológico;

Ftalatos
São usados para tornar os plásticos mais flexíveis e em fragrâncias sintéticas, associados a alterações hormonais e problemas reprodutivos;

Formaldeído
Encontrado em móveis de aglomerado, MDF, colas e alguns tecidos tratados. Pode provocar irritação respiratória e é classificado como potencial carcinogénio;

Microplásticos
Libertados por utensílios de plástico, tábuas de corte e embalagens alimentares, podem ser ingeridos ou inalados e são extremamente perigosos no lar;

Compostos de amónio quaternário 
Como o cloreto de benzalcónio, presente em desinfetantes e produtos antibacterianos. Estão associados a problemas respiratórios e irritações cutâneas.

Os produtos de limpeza são dos maiores contribuintes para a libertação de VOCs dentro de casa. Não é necessário eliminar tudo de imediato, mas é importante reduzir a exposição sempre que possível.

Químicos perigosos em móveis e materiais de construção

Materiais de construção

Freepik

Muitos móveis e materiais de construção continuam a libertar formaldeído e PFAS durante meses e, nalguns casos, anos após serem instalados em tua casa fenómeno conhecido como “off-gassing”.

Isto pode comprometer a qualidade do ar interior e provocar:

  • Irritações nos olhos, nariz e garganta;
  • Dores de cabeça;
  • Problemas respiratórios.

Os PFAS, apelidados de “químicos eternos”, acumulam-se no organismo ao longo do tempo.

Como reduzir a exposição?

Para reduzires a exposição, deves:

  • Optar por madeira maciça;
  • Preferir móveis usados (já libertaram parte dos compostos);
  • Evitar aglomerados e MDF com elevado teor de formaldeído;
  • Garantir ventilação intensiva após pinturas ou renovações;
  • Escolher produtos com certificação de baixo VOC.

Como melhorar a qualidade do ar interior?

caixinha com vários óleos essenciais

Unsplash

O ar dentro de casa pode estar mais poluído do que o exterior, sobretudo devido à libertação de químicos provenientes de móveis, tintas, produtos de limpeza, sprays perfumados e pesticidas. 

Como passas muitas horas em ambientes fechados, a qualidade do ar influencia:

  • Saúde respiratória
  • Nível de energia
  • Qualidade do sono

Medidas simples para melhorar o ar:

Para melhorares o ar que respiras, começa por:

  • Ventilar diariamente todas as divisões;
  • Criar circulação natural abrindo janelas e portas;
  • Utilizar purificadores com filtro HEPA e carvão ativo;
  • Controlar a humidade para evitar mofo.

Durante a limpeza:

  • Não mistures produtos químicos;
  • Abre janelas ao usar produtos com cheiro intenso;
  • Prefere fórmulas simples;

Sempre que possível, utiliza soluções básicas como água e sabão, vinagre ou bicarbonato.

Como escolher produtos para uma casa low-tox?

Casa low-tox

Freepik

Se quiseres realmente uma casa low-tox, ficas a saber que nem todos os produtos “naturais” são realmente seguros. Procura certificações reconhecidas na União Europeia e em Portugal.

Selos importantes:

  • Rótulo Ecológico da União Europeia (EU Ecolabel): identifica os produtos com menor impacto ambiental ao longo do ciclo de vida, incluindo detergentes, tintas, colchões, têxteis e outros produtos domésticos;
  • REACH: regulamento que controla as substâncias químicas perigosas, garantindo os limites rigorosos de segurança;
  • Certificação FSC (Forest Stewardship Council): assegura que a madeira usada em móveis e pavimentos provém de florestas geridas de forma responsável;
  • OEKO-TEX® Standard 100: certifica têxteis, cortinas, roupa de cama e colchões quanto à presença de substâncias nocivas;
  • Rótulo biocida autorizado: garante que os produtos desinfetantes vendidos em Portugal estão registados e cumprem os critérios de segurança.

Ao comprares, é importante:

  • Ler os rótulos com atenção;
  • Desconfiar de termos vagos como “eco” ou “natural” sem certificação;
  • Preferir produtos com menos ingredientes.

Para uma casa verdadeiramente low-tox:

  • Reduz a quantidade de produtos;
  • Privilegia soluções à base de água;
  • Começa pelas áreas de maior exposição, como limpeza e água;
  • Considera um filtro de água para reduzir contaminantes.

Não precisas de mudar tudo de uma vez. Pequenas alterações consistentes fazem a diferença. Estás pronto para ter uma casa mais saudável?

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