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19 Mar

Banco de Inglaterra mantém principal taxa diretora em 3,75%

O Banco de Inglaterra manteve a principal taxa diretora em 3,75%, adiando indefinidamente o regresso ao objetivo de inflação de 2%, devido à explosão dos preços da energia com o conflito no Médio Oriente. 

A decisão foi amplamente antecipada depois de os EUA e Israel começarem a bombardear o Irão a 28 de fevereiro. Até então, era visto como quase certo que o Banco da Inglaterra cortaria as taxas de juro, já que a inflação no Reino Unido deveria cair para o objetivo de 2% nos próximos meses. 

A guerra no Irão fez muito para desestabilizar as previsões, bem como as estimativas económicas globais mais amplas, especialmente no que diz respeito ao impacto que terá nos preços. 

O Comité de Política Monetária da entidade decidiu por unanimidade manter as taxas, prevendo que o índice de preços no consumidor (IPC) “subirá a curto prazo devido a este novo choque na economia”. A entidade constatou que “o conflito no Médio Oriente provocou um aumento significativo dos preços globais da energia e de outras matérias-primas”, que afetará o combustível doméstico e incidirá nos custos das empresas. 

O banco referiu-se especialmente às consequências do encerramento do estreito de Ormuz, controlado por Teerão, que afeta não apenas 20% do trânsito marítimo de petróleo e gás natural liquefeito, mas também de outras mercadorias, com um impacto significativo nas cadeias de fornecimento. 

Os receios de uma escassez de oferta de hidrocarbonetos devido aos ataques no golfo Pérsico, uma das principais regiões produtoras, levaram o petróleo a atingir um preço de quase 120 dólares depois do início da guerra a 28 de fevereiro, e o Brent europeu está agora a cotar-se a 112 dólares. 

Comité do banco central continuará “a monitorizar de perto” o impacto da guerra

O comité do banco central, formado por nove membros, disse que continuará “a monitorizar de perto” o impacto da guerra, para agir quando necessário para garantir que a inflação se encaminha para o objetivo oficial de 2%. 

O Banco da Inglaterra aplicou o último corte de taxas, de um quarto de ponto, em dezembro passado, quando as reduziu de 4% para 3,75%, ao considerar então que a pressão inflacionista tinha diminuído. 

Esse corte foi o sexto desde agosto de 2024, quando começou o atual ciclo de reduções após anos de aumentos iniciados em dezembro de 2021 a partir de níveis historicamente baixos, impulsionados pela elevada inflação durante a pandemia. No momento de ‘pico’, a principal taxa diretora chegou a estar em 5,25%, em julho de 2024. 

A economia do Reino Unido continua estagnada, com um crescimento de 1,3% em 2025 e uma expansão prevista este ano de apenas 1,1%, abaixo da previsão, de 1,4%, de novembro passado. 

O Office for National Statistics (ONS) informou que a taxa de desemprego se cifrou em 5,2% em janeiro, enquanto a inflação se situa em 3,2%. 

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