
Como ter um jardim verde sem relva e gastar menos água
Um relvado verde e bem aparado continua a ser sinónimo de um jardim cuidado, mas pode tornar-se exigente durante os meses mais quentes. Para conservar a cor e a densidade, precisa de rega regular, cortes frequentes e manutenção numa altura em que o calor e a falta de água o tornam mais vulnerável.
Em vez de insistires numa cobertura total de relva, podes optar por um jardim mais adaptado ao verão, com soluções que exigem menos recursos e oferecem maior diversidade. Eis o que poderás fazer.
Começa por não tratar todo o jardim da mesma forma
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Nem todas as zonas precisam de cumprir a mesma função. Talvez precises de uma área livre para as crianças brincarem, de um caminho de acesso ou de um canto onde gostas de descansar. Nos locais menos usados, no entanto, não tens de manter um relvado convencional.
Podes começar por substituir apenas uma faixa junto a uma vedação, a zona à volta das árvores ou um canto com pouca exposição solar. Esta mudança gradual permite perceber o que resulta no teu jardim sem transformares tudo de uma vez.
Ao reduzires a área de relva, diminuis também o tempo dedicado a regar, cortar e fertilizar. Além disso, abres espaço para plantas que ajudam a conservar a humidade do solo e atraem mais vida para o exterior.
Troca a relva por plantas que cobrem o solo
As plantas de cobertura são uma alternativa prática para as zonas onde não precisas de caminhar constantemente. Crescem junto ao solo, ajudam a limitar o aparecimento de ervas espontâneas e criam uma superfície verde com menos manutenção.
O trevo é uma das opções mais simples para começares. Tolera melhor o calor do que muitas relvas, mantém a humidade no solo e produz flores que podem atrair polinizadores. Se escolheres esta solução, convém deixares algumas áreas florir, sobretudo se o jardim não for usado por pessoas alérgicas a picadas de insetos.
Antes de escolheres as espécies, coloca algumas perguntas essenciais: há sol direto? O solo fica encharcado depois da rega? É uma zona de passagem? Depois de encontrares essas respostas, será mais fácil perceber que plantas poderás utilizar.
Posso colocar plantas aromáticas?

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Sim, também podes colocar plantas aromáticas no jardim de verão. Podes optar por espécies rasteiras, como o tomilho, para cobrir as zonas mais secas, soalheiras ou de difícil acesso do teu relvado. Outras opções são o alecrim rasteiro, a alfazema e os orégãos, que têm excelente capacidade de cobertura do solo.
Estas plantas são ideais para preencher pequenos espaços ou decorar os caminhos entre pedras. Resistem bem a pequenas pisadas e libertam um aroma fresco sempre que passas por perto.
Cria um prado florido em vez de um tapete perfeito

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Se tens uma zona ampla e pouco utilizada, podes substituir a relva por um prado de flores silvestres. Esta opção cria um jardim mais natural e dinâmico, com diferentes cores, alturas e texturas ao longo das estações, ao mesmo tempo que oferece abrigo e alimento a abelhas, borboletas e outros insetos. A nossa sugestão baseia-se nestes três pontos:
- Prepara o terreno: corta ou remove a relva existente e revolve ligeiramente a terra, sem adicionar fertilizante em excesso;
- Escolhe sementes adaptadas à região: combina flores silvestres e gramíneas adequadas ao clima e ao tipo de solo do teu jardim;
- Reduz a manutenção: rega moderadamente durante a germinação e, depois de estabelecido, corta o prado apenas uma ou duas vezes por ano.
Usa materiais permeáveis nas zonas de passagem
Há partes do jardim onde as plantas não são a solução mais prática. Nos caminhos, junto à mesa de jantar exterior ou na zona onde colocas espreguiçadeiras, podes optar por materiais permeáveis, como gravilha, casca de pinheiro ou lajetas com espaços para vegetação.
Estas soluções ajudam a organizar o jardim e evitam que tentes manter a relva intacta apesar das pisadas. Se escolheres gravilha ou outros materiais soltos, delimita bem a área para evitar que se espalhem pelo jardim.
Uma camada de cobertura vegetal à volta das plantas também pode ajudar a reduzir a evaporação da água e a proteger o solo do calor.
Dá prioridade a espécies adaptadas ao clima da tua zona

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Em vez de escolheres plantas apenas pelo seu aspeto, tem em conta o vento, a humidade, a exposição solar, a disponibilidade de água e as temperaturas da tua região. Estas sugestões são indicativas, portanto confirma sempre num viveiro local se a espécie se adapta ao teu solo e evita retirar plantas da natureza. Estas são as recomendações por cada zona do nosso país:
- No litoral, onde há humidade, vento e, em zonas próximas do mar, maresia, procura espécies tolerantes a estas condições, como a tamargueira, o perrexil-do-mar e o alecrim. Em áreas muito expostas, instala as plantas atrás de uma vedação ou arbusto que funcione como corta-vento;
- No interior, onde os verões podem ser muito quentes e os invernos mais frios, aposta em plantas resistentes a amplitudes térmicas, como a esteva, o medronheiro, a carqueja e o rosmaninho. Rega com mais atenção durante o primeiro verão, até as raízes se fixarem;
- No sul do país, privilegia espécies mediterrânicas capazes de suportar calor e períodos prolongados de seca, como a alfarrobeira, a oliveira, o lentisco, o alecrim e a alfazema. Agrupa plantas com necessidades de rega semelhantes para usares a água de forma mais eficiente;
- Na Madeira, adapta as escolhas à altitude e à exposição do terreno, já que as condições variam bastante dentro da ilha. Podes procurar espécies como o massaroco, o gerânio-da-Madeira, a faia-das-ilhas e o loureiro;
- Nos Açores, onde a humidade e o vento são fatores importantes, considera espécies da flora local, como a urze-dos-Açores, a faia-da-terra, o pau-branco e o loureiro-dos-Açores.
As plantas autóctones e bem adaptadas ao local tendem a exigir menos rega e manutenção depois de estabelecidas.