Feira de arte e antiguidades de Lisboa: Paula Rego e outros tesouros
A Cordoaria Nacional, em Lisboa, irá acolher, até 17 de maio, a 23.ª edição da LAAF – Lisbon Art and Antiques Fair. Organizada pela Associação Portuguesa de Antiquários (APA), a feira reúne mais de 5.000 peças de arte e antiguidades em 2.000 metros quadrados (m2) de exposição. Entre cruzes medievais, porcelana do século XVII, joias de autor e um raríssimo faqueiro real em ouro, existe uma tela de Paula Rego que se destaca como um dos focos desta feira.
Segundo o ECO, a APA investiu cerca de 300 mil euros na organização desta edição, que conta com 39 expositores e duas estreias institucionais de peso: o Palácio Nacional da Ajuda, que exibe uma tapeçaria e um trono, e o Museu do Chiado, com um conjunto de peças de arte contemporânea. “Queremos que este seja um evento cultural, e não apenas comercial, embora também o seja”, sublinha Tomás Branquinho da Fonseca, antiquário e membro da direção da APA.
Estreiam‑se também a galeria Arte em Ação, com obras de Vieira da Silva e Manuel Cargaleiro, e a joalharia Rosior, que apresenta 60 peças de alta joalharia. “Precisamos de mostrar um bocadinho do trabalho de alta joalharia que se faz em Portugal”, afirma José Rosas, responsável da marca.
Os destaques espalham‑se pelos vários stands. Há peças que remontam ao século XIV, como uma cruz trazida do Porto por Luís Alegria, e porcelanas raras, como uma taça azul e branca do período Tianqi (1621–1624), feita na China para o Japão e ainda com a caixa original, algo “muito raro a aparecer”, nota o antiquário.
Na pintura, Tomás Branquinho da Fonseca destaca a única obra de Paula Rego presente na feira, “Ilha do Tesouro” (1972), exposta pela primeira vez em 1974 e integrada em várias retrospetivas da artista. Entre as obras de retrato, sobressai um retrato de D. João VI assinado por Simplício Rodrigues de Sá, apresentado por José Sanina como um de apenas dois exemplares conhecidos deste pintor com o monarca.
Câmara Municipal de Lisboa
Outro dos grandes destaques da edição de 2026 é um “raro faqueiro real em ouro do reinado de D. João V”, apresentado pela Galeria São Roque, composto por talheres em ouro no estojo original em madeira, forrado a veludo de seda carmesim e galão em fio de prata. Associado “à magnificência da corte joanina”, o conjunto é descrito pela galeria como um testemunho singular do luxo régio português do século XVIII.
Tal como todas as peças em exposição, também este faqueiro passou pelo comité de peritagem da LAAF, composto por 15 especialistas que certificam a autenticidade e a descrição dos objetos. “Quanto mais informação existir sobre falsificações, quanto maior for o conhecimento do público e dos compradores, mais se evita que as pessoas possam ser enganadas”, afirma Tomás Branquinho da Fonseca ao jornal, lembrando que a feira inclui ainda um programa paralelo de conferências dedicado, entre outros temas, às falsificações no mercado da arte. Os bilhetes custam 15 euros (individual) ou 25 euros (duplo com catálogo).
