Notícias

24 Abr

Participação eleitoral desce de 79% em 1975 para cerca de 50%

A participação eleitoral em Portugal diminuiu de forma significativa entre 1975 e 2026, apesar de alguma recuperação nas eleições mais recentes. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados no âmbito do 52.º aniversário do 25 de Abril, mostram que a relação entre votantes e inscritos era, em média, de 79% na década de 1970, caindo para 47,5% na década de 2010. 

Ainda assim, revela o INE, a tendência inverteu ligeiramente na última década, com a taxa média de participação a subir para 51%, num contexto em que o número de eleitores inscritos aumentou de pouco mais de seis milhões, em 1975, para mais de nove milhões em 2026 (residentes em Portugal) e mais de 11 milhões se incluirmos os inscritos no estrangeiro.

De acordo com o boletim publicado pelo instituto, consideradas todas as eleições de âmbito nacional entre 1975 e 2026 – presidenciais, legislativas, autárquicas e europeias – a taxa média de participação eleitoral da população residente em território nacional e no estrangeiro foi de 58,5%. Se forem tidos em conta apenas os inscritos residentes em Portugal, esse valor sobe para 61,2%. 

As eleições para a Assembleia da República registam, em média, a participação mais elevada (65,4%), seguidas das autárquicas (60,7%) e das presidenciais (58,8%), ficando as europeias bem abaixo (40,8%). O pico histórico continua a ser a eleição para a Assembleia Constituinte de 1975, com 91,7% de participação, enquanto o mínimo se verificou nas europeias de 2019 (30,7%).

Participação eleitoral em Portugal

INE

O gabinete nacional de estatísticas sublinha ainda que os últimos cinco anos eleitorais revelam alguma recuperação do número de votantes em território nacional, mesmo num quadro de grande crescimento dos inscritos no estrangeiro após 2015, devido à incorporação automática nos cadernos eleitorais. 

Embora a participação global continue abaixo dos níveis dos primeiros anos da democracia – quando superar os 70% era frequente –, os dados mais recentes apontam para um ligeiro reforço do envolvimento cívico, sobretudo nas legislativas e autárquicas, e mostram também que há regiões onde a participação se mantém acima da média nacional, como o Alentejo (64%) e o Norte (63%), sinal de que o desinteresse não é uniforme em todo o país.

Publicações Relacionadas