Portugal no top 3 de subida dos preços das casas na Europa até 2028
Depois de passar os últimos dois anos a aumentar os dois dígitos, os preços das casas em Portugal deverão abrandar o ritmo de subida já em 2026 e nos dois anos seguintes, antecipa a S&P Global. Mas, ainda assim, Portugal continuará a estar no top 3 de maiores subidas nos preços das casas na Europa até 2028.
O mais recente relatório da S&P Global sobre os “Mercados Imobiliários Europeus” mostra que Portugal liderou mesmo o aumento do custo da habitação nos últimos dois anos entre os principais países da Europa. Em 2024, os preços das casas no nosso país subiram 11,5%. E em 2025 terão aumentado 15,4%, mais do dobro da média europeia (6,1%).
Nas suas previsões de evolução do preço das casas entre 2026 e 2028, Portugal abandona o primeiro lugar, cedendo-o a Espanha. Mas continuará no top3 dos maiores crescimentos. Para 2026, a S&P Global antecipa que o custo de comprar casa no nosso país vai abrandar a subida para 7%, embora continue bem acima da média europeia estimada (4,3%). Este ano, será Espanha a ocupar o primeiro lugar com um crescimento do preço da habitação de 9,3%.
Para 2027 e 2028, o abrandamento do aumento do custo da habitação em Portugal deverá manter-se, com a agência de classificação de risco a projetar aumentos de 5,5% e 5%, respetivamente. Uma vez mais, será Espanha a liderar as subidas dos preços das casas com 7,4% em 2027 e 6,2% em 2028, embora também seja visível a tendência de desaceleração.

Comportamento irregular dos preços das casas em 2025
A mesma análise da S&P Global detalha que os preços da habitação subiram mais do que o esperado em 2025 em países como Portugal (+15,4%) e Irlanda (+7,3%), onde os mercados de trabalho superaram as expectativas e atingiram níveis recordes de emprego em 2025.
Por outro lado, o preço da habitação desacelerou mais do que o esperado em países onde o emprego foi menos resiliente do que o previsto. Foi o caso da Suécia e do Reino Unido.
“As revisões em alta das previsões de preços para 2025 são explicadas, sobretudo, por uma oferta de casas praticamente estagnada na Suíça, pelos altos custos dos materiais e energia na Alemanha e por uma combinação de ambos os fatores nos Países Baixos. Na França, a baixa confiança das famílias devido à incerteza política reduziu temporariamente a procura por casas”, explica a agência de classificação de risco.
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Os fatores que influenciam os preços das casas
A S&P Global aponta para “diversos” fatores que vão contribuir para que os preços das casas continuem a subir nos vários países europeus, como é o caso da forte procura impulsionada pelo crescimento populacional e pela redução do tamanho das famílias, o acumular de riqueza e a oferta de habitação insuficiente.
Segundo a agência de classificação de risco, “as persistentes restrições na oferta continuam a impulsionar os preços para cima e a afetar a acessibilidade”. E diz que este défice na oferta se deve a obstáculos ao nível da regulação e até à escassez de mão de obra na construção.
Já a procura por habitação é “estruturalmente sólida”, devido à “crescente diferença entre a procura por casas e o crescimento populacional geral”. E a S&P acrescenta ainda que “dado o crescimento populacional mais lento e o envelhecimento da população, a força da procura por casas na Europa pode parecer contraditória. Mas, na prática, o número de agregados familiares está a aumentar cerca de 2,5 vezes mais rápido do que a população total. Mudanças nas condições e nos estilos de vida, amplificadas pela pandemia, explicam essa tendência”, conclui.
Segundo a S&P, os preços das casas na Europa vão continuar a subir a um ritmo mais acelerado do que o rendimento das famílias este ano, embora preveja uma moderação no crescimento dos preços a partir de 2027, devido à perda de dinamismo nos mercados de trabalho, aos cortes limitados nas taxas de juro (salvo imprevistos) e a uma oferta residencial que crescerá anualmente menos de 4% a partir de 2026.
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Mercado imobiliário português entre os mais sobrevalorizados
Em termos gerais, os mercados imobiliários europeus estão menos sobrevalorizados do que há quatro anos, afirma a agência de classificação de risco. “Durante o período de 2021-2022, a relação preço/rendimento em muitos países excedeu os respetivos valores habituais de longo prazo em até dois desvios-padrão. Isto correspondeu a sobrevalorizações estimadas em cerca de 10% na zona euro, 15% no Reino Unido e 20% na Suécia”, lê-se na análise.
Atualmente, o relatório aponta que os mercados imobiliários mais sobrevalorizados são Portugal e a Suíça, onde a acessibilidade à habitação está abaixo das médias europeias e da OCDE, e alerta que não deteta quaisquer sinais de alívio neste momento.
Em relação a Portugal, o relatório destaca que “a persistente escassez reflete uma procura interna ainda forte — apesar do declínio da procura externa — uma oferta limitada e um número reduzido de casas renovadas“. No caso da Suíça, a S&P salienta que “prevalecem dinâmicas semelhantes, incluindo uma elevada concentração da população nas zonas metropolitanas e uma moeda forte”.
Por outro lado, a S&P diz que “os mercados imobiliários de França e da Bélgica são os mais subvalorizados da Europa”, embora descarte a possibilidade de esta tendência se manter.
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Economia continuará a favorecer imobiliário na Europa
As condições económicas deverão continuar a favorecer o mercado imobiliário na Europa. Acima de tudo, a taxa de desemprego, “crucial” para o mercado imobiliário, deverá permanecer estável.
Por outro lado, as condições financeiras deixarão de ser favoráveis para o mercado imobiliário europeu, visto que as taxas de juro nominais dos novos empréstimos habitação permaneceram praticamente inalteradas ao longo de 2025 na zona euro, no Reino Unido, na Suíça e na Suécia, à exceção da Polónia.
A S&P Global acredita que há pouco espaço para novos cortes nas taxas de juros nos próximos dois anos e que o Banco Central Europeu e o Banco Nacional Suíço encerraram sua política de flexibilização das taxas de juros, a menos que ocorram novos choques externos, como é o caso da recente valorização do euro face ao dólar perante a instabilidade política vinda dos EUA.
*Com Europa Press


